terça-feira, 21 de março de 2017

CAPÍTULO 08


No dia seguinte, Amanda acordou tarde. Surpreendeu-se ao encontrar Laura e Michelle ainda em casa, vestidas demais para quem ia para a praia e com várias sacolas e malas na sala.
- Bom dia! – Michelle saudou-a assim que a viu.
- Bom dia. 
Respondeu com um olhar interrogativo que tornava qualquer pergunta desnecessária. Foi Laura quem esclareceu, com uma pressa e um estresse quase palpáveis:
- Mudança de planos. Estamos indo para Blumenau. Voltamos domingo no fim da tarde.
A explicação de Michelle foi muito mais tranquila. Na verdade, bem-humorada:
- Vamos visitar os pais da Laura, a mãe dela ligou intimando nossa presença lá.
À Amanda, restou presenciar a divertida confusão do casal antes de sair, as duas falando sem parar e se movimentando para lá e para cá com uma sincronia invejável enquanto organizavam cada detalhe.
Só depois que finalmente levaram a bagagem - excessiva para quem não ia passar nem dois dias fora - até o elevador com a ajuda de Amanda, voltaram a atenção para ela. Michelle com carinho e suavidade:
- Você vai ficar bem, não vai?
A preocupação de Laura era outra. Não havia nem um pingo de doçura na voz dela quando recomendou:
- Juízo.


Não passava muito do meio dia quando Amanda chegou no salão de festas do prédio de Bruno. A música estava altíssima, dava para ouvir a metros dali. No entanto, não fazia ideia de qual era, algo eletrônico que não foi capaz de reconhecer. Desacelerou o passo quando se aproximou das portas de vidro escancaradas, tentando enxergar o amigo no meio de um mundo de pessoas desconhecidas. Não precisou se esforçar muito, ele logo a viu e praticamente correu em sua direção:
- Amanda! Querida! Que bom que você veio!
Apertou-a com força entre os braços como sempre fazia, deu um beijo estalado no rosto dela, deixando claro que já estava bêbado, antes mesmo de dizer:
- Que linda que você tá! A Débora vai enlouquecer!
Antes que Amanda pudesse dizer ou fazer qualquer coisa, Bruno a puxou pela mão:
- Vem comigo!
Atravessou o salão dançando, empolgadíssimo. Amanda seguiu atrás, aproveitando para olhar em volta e avaliar os convidados. A maioria quase absoluta era de homens e não precisava ser um gênio da observação para calcular que se havia algum hetero, deveria estar disfarçado ou escondido. 
O amigo soltou a mão dela na frente da churrasqueira, onde as únicas mulheres estavam. Débora e outras duas - que provavelmente eram namoradas, pelo jeito que estavam agarradas - bebendo cerveja, conversando e rindo alto. Bruno as interrompeu anunciando:
- Olha quem chegou!
O coração de Amanda acelerou, bateu muito mais rápido quando Débora se virou para ela com um sorriso magnífico:
- Amanda... Oi.
Depois, levou a garrafa long neck que segurava aos lábios e, sem desviar os olhos dos dela um segundo, bebeu. De um jeito que Amanda achou sensualíssimo.
Foi arrancada do estado de quase hipnose em que estava pela garota mais alta do casal:
- Ninguém vai nos apresentar?
Provavelmente, Bruno a atenderia, se não fosse puxado para o meio salão, onde começou a dançar acompanhando os três rapazes que o haviam requisitado. Restou a Débora fazê-lo:
- Bárbara e Claudia, essa é a...
Não conseguiu completar, as duas a interromperam, se complementando do mesmo jeito que Laura e Michelle faziam:
- A famosa Amanda!
- Finalmente!
- Tudo bem?
- É um prazer, viu?
Amanda apenas acenou com a cabeça, sem ser capaz de disfarçar o próprio constrangimento, que pareceu divertir as duas mais ainda:
- Deb, arruma algo aí pra Amanda beber...
- Pra ela ficar sem vergonha igual a gente...
Riram juntas. Débora apenas continuou sorrindo:
- Repara não. Elas são assim mesmo, mas logo você se acostuma. 
Piscou para Amanda antes de perguntar:
- Cerveja?
Com um sorriso, Amanda assentiu:
- Aham.
Débora pegou uma long neck na geladeira, abriu, entregou para Amanda, ergueu a própria garrafa e bateu na dela:
- Saúde. 
A primeira cerveja desceu rápido, a segunda também. Depois da terceira, Amanda parou de contar. Tampouco prestou atenção no que e quanto comeu. Muito mais preocupada em perder-se e encontrar-se em cada olhar e sorriso que recebia de Débora. 
Pouco a pouco, foi apagando todo o resto, como se naquela festa só existisse ela, a única fonte de luz. Aproximou-se cada vez mais, se insinuando, se atirando, deixando claro que a desejava, de forma nada discreta. Queria, precisava ter Débora.
Bárbara e Claudia gesticularam para Débora, algo semelhante a um incentivo, que Amanda não compreendeu. Mas o aceno de cabeça que obtiveram como resposta soube interpretar muito bem: não. 
Talvez tivesse desistido ali, naquele instante. Se não estivesse alterada pela bebida o suficiente para passar os braços ao redor do pescoço de Débora e soprar no ouvido dela, sem a menor timidez:
- Quero um beijo seu...
Muito mais uma provocação do que um pedido, que tornou impossível para Débora sequer cogitar fazer algo diverso de satisfazê-la. Segurou Amanda pelos quadris e a puxou, colando o corpo no dela ao mesmo tempo em que as bocas se encontravam e as respirações e as línguas se fundiam. 
Exatamente como da outra vez, mergulharam numa total ausência de tempo. Só tiveram certeza de que horas haviam se passado porque já era noite quando Claudia e Bárbara as interromperam:
- Estamos indo, meninas.
- Querem carona?
Foi mantendo Amanda nos braços que Débora respondeu:
- Estou de carro, mas valeu!
Após a partida das duas, Amanda sugeriu:
- Vamos também?
Só então percebeu que tinha dado como certo que dormiriam juntas, mas na verdade, ainda precisava saber:
- Quer ir pra minha casa? 
Um nervosismo estranho e súbito a fez continuar:
- A Laura e a Michelle viajaram, estou sozinha até amanhã de tarde. Você pode parar o carro na garagem.
Débora sorriu, pegou o celular, digitou algo e enviou, antes de dizer:
- Já avisei pra minha mãe que só volto amanhã.
Depois, pegou-a pela mão e a guiou até Bruno, que dançava uma música que Amanda conseguiu reconhecer, era a versão de I feel love da Madonna. Ele as abraçou rindo e quase caindo por causa do excesso de álcool ingerido:
- Que bom! Você ficam lindas juntas, vão ser muito felizes juntas, quero ser o padrinho!
Puxou Débora e falou algo em seu ouvido. Depois fez o mesmo com Amanda, mas desta vez ela ouviu:
- Cuida bem da minha amiga. Não faz ela sofrer mais.
Assim que ele a soltou, Débora falou:
- Ele tá muito bêbado, não sabe o que diz.
Sorriu para Amanda e a beijou, fazendo com que ela esquecesse todo o resto completamente. 


Débora não a decepcionou quando Amanda acendeu a luz da sala do apartamento. A primeira coisa que reparou foi:
- Aquilo é uma Jukebox?
- Aham.
Pegou-a pela mão e a levou até o objeto que considerava magnífico, preparada para ver a decepção nos olhos dela ao deparar-se com a seleção de músicas, mas ao contrário de Juliana, Débora apenas franziu o cenho:
- Quantos anos você disse que as amigas da sua mãe têm?
Amanda deu de ombros:
- Ah, sei lá... Regulam com a minha mãe, então perto dos 48.
Débora não escondeu a surpresa:
- Tudo isso? Minha mãe tem 42. 
Até poderia explicar que a mãe tinha tentado ter filhos durante anos depois do casamento, mas só tinha conseguido engravidar aos 30 anos. Ela e Juliana eram resultado de um tratamento de fertilidade longo e intensivo. Seria informação demais, além de absolutamente irrelevante sob seu ponto de vista, por isso nada disse. 
O breve instante de silêncio foi interrompido por Débora:
- Mesmo pra elas, essa seleção é bem antiga.
Sem concordar nem discordar, Amanda colocou Smoke on the water, Deep Purple. Ao virar de volta, Débora estava balançando a cabeça de leve e sorrindo, acompanhando o ritmo. Sorriu de volta, aproximou-se, segurou Débora pela cintura e puxou-a. E então, a atenção delas não estava mais no som, e sim nos lábios, que se encontraram de uma maneira sedutora e irresistível. 
Quando Amanda deu por si, estava encostada na Jukebox, pronta para fazer sexo com Débora ali. Só faltava uma coisa. Interrompeu o ardor delicioso dos beijos e carícias para sugerir:
- Não quer escolher uma música?
A última coisa em que Débora pensaria naquele momento era na trilha. Mesmo assim, foi de uma maneira inteiramente gentil e encantadora que disse:
- Escolhe você. Quero saber do que você gosta. 
Sem sair dos braços de Débora, Amanda colocou “When The Levee Breaks” do Led Zeppelin. Funcionou como uma maravilha pois, com uma urgência que não existia no momento anterior, Débora fez as alças do vestido de Amanda caírem, deixando os seios à mostra durante um segundo ínfimo. Cobriu-os com uma das mãos e a boca. A outra escorregou pelo interior das coxas, até atingir o ponto preciso que estava buscando, primeiro por cima do tecido e depois por dentro da calcinha. Transformando em ação o que antes era expectativa e fazendo Amanda ofegar, entre gemidos:
- Ai, isso... Assim... Faz... Eu gosto assim...


Não foi difícil para Michelle e Laura imaginarem o que havia acontecido ali quando chegaram em casa no dia seguinte. As roupas espalhadas no chão em frente à Jukebox, duas long necks vazias em cima da mesinha da sala e duas bolsas no sofá eram evidências inegáveis e ainda visíveis. 
A reação de Michelle foi rir:
- Deveríamos ter avisado que voltaríamos mais cedo?
Ao invés de responder, Laura se dirigiu para o corredor. Parou ao deparar-se com a porta do quarto de Amanda entreaberta. Quase colada atrás dela, Michelle perguntou sussurrando, como se as duas fossem invasoras:
- Que foi?
Laura afastou o corpo para o lado, dando a Michelle a mesma visão que tinha. Amanda na cama com outra menina, as duas dormindo abraçadas e completamente despidas. Felizmente – ou não – um lençol as cobria.
Ainda sem barulho para não as acordar, Laura fechou a porta antes de ir com Michelle para a cozinha. 
- Você está achando muito engraçado, né?
A indagação de Laura fez Michelle rir mais ainda:
- Você não?
Impossível para Laura negar. A situação, para elas completamente inusitada, era mesmo muito engraçada, no mínimo. Acabou observando: 
- Pelo menos não estão na nossa cama.
Michelle completou no mesmo tom:
- Talvez seja melhor darmos uma cama de casal pra nossa girininha... Só pra prevenir.
Gargalharam juntas, absolutamente divertidas.


Estavam começando a preparar o almoço, Laura cortando as cebolas na tábua em cima do balcão que separava a sala da cozinha americana e Michelle ao lado dela, sentada num dos bancos altos, tomando uma cerveja, quando a menina que estava com Amanda na cama entrou na sala. 
Jamais saberiam dizer quem se assustou mais, elas ou a garota inteiramente despida.
O fato é que, durante um instante derradeiro, ficaram paralisadas, todas as três. 
Foi Débora quem se recuperou primeiro. Natural, uma vez que era ela que estava ali, expondo a própria nudez à duas desconhecidas. 
Num relance, viu as roupas dobradas em cima de uma cadeira a meio metro dela. Agiu rápido. Estendeu o braço e, sem tempo para separar o que era de Amanda e o que era dela, pegou todas e se tapou com elas, enquanto pedia timidamente:
- Desculpa.
Laura e Michelle ainda continuaram imóveis e boquiabertas alguns segundos após a garota sair correndo. Entreolharam-se rindo, Laura tirou a long neck da mão de Michelle e deu um gole antes de perguntar:
- Você viu a mesma coisa que eu?
No mesmo tom divertido e bem-humorado, Michelle respondeu:
- Depende. Pra onde você olhou?
E as duas gargalharam juntas novamente.

CONTINUA AMANHÃ...

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postado originalmente em 25 de Abril de 2017 às 18:00.








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5 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Nova tentativa, Diedra,
    Rindo a beça com cena da Débora aparecendo nua kkkk achei que Laura ia ficar mais "bravinha", mqs até que reagiu bem!
    To amando a história! Vc esta de parabéns como sempre!

    Bjokassss

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  3. To rindo as gargalhadas, tanto da reação da Débora qto de Laura e Michelle.
    Laura q se mostra mais turrona (pq será?) até se saiu bem com o bom humor
    característico dessa dupla. Maravilhosa noticia q teremos caps. seguidos esta semana
    nem vai dar para respirar... e eu amei isso. Tô mto curiosa com o desenrolar
    desta estória q estou amando loucamente. Prevejo raios e trovões... k k k
    Parabéns Di...

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  4. Mais genteee kkkkkkkkkkkkkkkk rindo horrores

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  5. Gargalhando horrores.
    -Você viu a mesma coisa que eu?
    -Depende. Pra onde você olhou? Kkkkkkkkkk
    Valeu Di! Excelente capítulo
    Quero mais...
    Bjs

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