terça-feira, 21 de março de 2017

CAPÍTULO 13


Amanda sentou com Bruno e Débora no bar perto da faculdade onde iam todas as quintas-feiras depois da aula. Seria exatamente igual, se não fosse a neutralidade quase indiferente com que Débora passara a tratá-la. 
Aproveitando o momento em que Bruno foi ao banheiro e as deixou sozinhas, puxou a cadeira para mais perto da dela, inclinou o corpo e, ao som de Raimundos tocando “Mulher de Fases” no telão, soprou no ouvido de Débora:
- Saudade de você...
O efeito foi visível, pois Débora estremeceu e se arrepiou inteira, fazendo com que Amanda se atrevesse a traçar com a boca um caminho de fogo em direção a seus lábios. Primeiro um leve roçar apenas e, depois, quando a respiração se tornou entrecortada, mostrando que desejava aquele beijo tanto quanto ela, atendeu ao apelo mudo com a voracidade que a distância de dias imprimia. Débora correspondeu inteiramente, passando os braços ao redor do pescoço de Amanda, que a puxou para si. 
Esqueceram-se de tudo, inclusive de Bruno, que não retornou para a mesa, ficou conversando com alguns conhecidos perto do balcão. 
Não precisou esperar muito, pois ao contrário da perda de qualquer noção de tempo que sempre se instaurava quando ficavam, daquela vez Débora estava plenamente consciente de que já tinha permitido muito mais que deveria. Juntando toda a coragem, sinceridade e amor próprio que possuía, parou de beijá-la, se afastou de Amanda e disse:
- Eu não quero mais isso. Não desse jeito. Estou apaixonada por você.
Olhou para Amanda e esperou uma resposta que não veio, palavras que não saíram, pois sequer existiam. Ela não sentia o mesmo, ficou nítido naquele silêncio absolutamente constrangido. 
Sendo assim, Débora fez a única coisa possível para que ainda lhe restasse alguma autoestima. Pegou a bolsa, levantou, se despediu de Bruno e foi embora.
Amanda permaneceu alguns minutos sentada ali sozinha, absolutamente imóvel. Quando afinal voltou a levantar a cabeça, deparou-se com Marina a alguns metros dela, encostada na mesa de sinuca. Os olhares se encontraram por um instante ínfimo. Logo depois, Marina se virou para a mulher ao seu lado, passou a mão que não estava segurando o taco nas costas dela, um pouco acima da cintura, da mesma forma sugestiva e nem um pouco sutil com que sussurrou algo em seu ouvido. Amanda não ouviu, mas calculou o que seria, pelo jeito que as duas riram e depois se beijaram, como se estivessem sozinhas ali.
Incapaz de negar e sem querer pensar no motivo de estar incomodada com aquilo, Amanda se despediu de Bruno e saiu quase correndo dali.


Já havia enfiado a chave na porta quando ouviu o barulho de vozes, risadas e música que vinha de dentro do apartamento de Laura e Michelle. Lembrou então que elas tinham visita, Michelle a avisara pela manhã que receberiam uma amiga no jantar. Tarde demais para voltar atrás, entrou na sala forçando seu melhor sorriso. A recepção calorosa de Michelle não foi surpresa:
- Amanda! Até que enfim!
A de Laura é que foi inesperada:
- Que bom que você chegou!
Pela alegria e pela voz delas, um tom acima, calculou o quanto já deviam ter bebido. 
- Essa é a Val. Val, essa é a Amanda.
Após ser devidamente apresentada por Michelle e de ter sido avaliada por Val de cima a baixo, Amanda pretendia ir direto para o quarto. Era o que teria feito, se Michelle não convidasse:
- Senta aqui com a gente.
Laura tentou ajudá-la:
- Meu amor, a Amanda deve estar cansada...
Mas Michelle insistiu:
- Só um pouquinho...
E Amanda acabou cedendo. Sentou-se com elas e, tendo um DVD da Ana Carolina de fundo, conversou, mas não bebeu mais. Já tinha passado um pouco de seu limite no bar. Estava se preparando para levantar e se retirar, quando “Cabide” começou a tocar, fazendo Michelle puxar Laura pelo braço:
- Vem, essa eu preciso dançar com você!
Laura tentou resistir, alegando que tinha tirado a bota imobilizadora há pouco tempo, mas Michelle pediu de uma maneira doce e sedutora, absolutamente irrecusável:
- Ah... Por mim, meu amor, vai...
Conseguiu finalmente puxá-la para o meio da sala. Ofereceu a mão direita e posicionou o braço esquerdo no ombro de Laura para que ela conduzisse. Amanda ficou espantada e encantada com a beleza dos passos e movimentos, executados com uma perfeição quase profissional. Saiu sem querer:
- Nossa! Vocês mandam muito bem!
As duas riram, mas foi Michelle que respondeu:
- Fizemos aulas de dança de salão juntas, há o quê? Uns dois anos?
Olhou para Laura em busca da confirmação:
- Mais ou menos.
Val perguntou:
- Dança comigo?
A primeira reação de Amanda foi sacudir a cabeça em negação, timidamente:
- Eu não sei. 
No entanto, Val não estava disposta a receber um não como resposta:
- Nem eu. Não como elas, quero dizer. Ah, vamos lá...
Completamente vexada pela perspectiva de fiasco iminente perante a perícia do outro casal, Amanda afundou ainda mais no sofá:
- Não, melhor não.
Foi necessário que Michelle intercedesse:
- Nunca é tarde pra aprender. Vem, Val, vou te ensinar uns passos. Amanda, a Laura ajuda você.
A intenção de Michelle era a de sempre: socorrê-la.  Naquele caso, teve o efeito contrário. Pois não podia, na verdade não queria se negar. Ao mesmo tempo, não fazia ideia de como disfarçaria o prazer de estar nos braços de Laura, mesmo sendo apenas para dançar. Se ainda tinha alguma chance de escolha, esta esvaiu-se ao ouvir Laura chamá-la: 
- Vem cá.
Val já estava ensaiando os primeiros passos com Michelle. Amanda caminhou até Laura como se estivesse num sonho em que flutuasse. Impressão que mudou assim que, com uma das mãos na de Laura e abraçada a ela, começaram a se mover. Os olhos se colaram, fazendo com que o espaço considerável entre elas parecesse desaparecer. Inteiramente afogueada, com a respiração desenfreada e o coração saltando feito louco no peito, Amanda pensou que fosse desfalecer. Laura a salvou, guiando-a de volta ao sofá. 
Preocupada, Michelle se inclinou sobre ela imediatamente:
- O que aconteceu?
Amanda não estava mentindo ao dizer:
- Não estou me sentindo bem.
Laura a ajudou de novo:
- Achei que ela ia desmaiar.
Antes que começassem a cogitar levá-la a um hospital, ou qualquer outra coisa do gênero, Amanda falou:
- Só preciso me deitar.
Com a linguagem gestual pela qual elas sempre se comunicavam, Michelle fez Laura acompanhá-la. Dolorosamente consciente da presença de Laura a centímetros dela durante todo o percurso, quando chegaram na porta do quarto, Amanda a puxou para dentro e tentou beijá-la. Laura desviou o rosto e se esquivou:
- Você enlouqueceu?
Loucura. Amanda não saberia definir de outro jeito. A compulsão que a dominou e a levou a segurar o rosto de Laura entre as mãos e suplicar:
- Só mais uma vez...
Não houve gentileza alguma por parte de Laura, ela segurou os pulsos de Amanda com força e a afastou:
- Não vai acontecer.
Saiu e fechou a porta atrás de si. Sozinha no escuro, Amanda tateou dentro de si mesma, em busca do que mais lhe faltava naquele momento: saber o que estava sentindo e o que deveria fazer.


No dia seguinte de manhã, Amanda acordou mais cedo. Queria sair antes de Laura e Michelle acordarem, pois não queria encontrá-las. Tomou café na universidade, ainda estava sentada na cantina quando Bruno chegou e sentou com ela. Conversaram banalidades, por mais que Amanda quisesse perguntar sobre Débora, não teve coragem e ele também não disse nada. Logo depois, a própria Débora surgiu e, após uma breve hesitação, caminhou em direção aos dois. Assim que ela parou ao lado de Bruno, Amanda se pôs de pé:
- Vou indo pra sala.
Na mesma hora, Débora protestou:
- Não precisa sair por minha causa.
Amanda tentou negar:
- Eu não estou...
Mas Débora sequer a deixou falar:
- É claro que está.
Bruno aproveitou para pegar as coisas dele e se levantou:
- Fui.
Saiu deixando as duas à sós. Amanda deixou escapar um longo suspiro antes de dizer:
- Eu não queria que as coisas ficassem estranhas entre nós.
Débora estava de acordo:
- Eu também não. 
Aproveitou a receptividade dela para tentar se esclarecer:
- Desculpe se ontem eu...
Mais uma vez, Débora a interrompeu:
- Não vamos mais falar sobre isso, ok?
Para Amanda, naquele momento a única possibilidade foi concordar:
- Ok.


A última coisa que Laura desejava era ficar sozinha com Amanda. Quando a última aula terminou, não foi para casa, mandou uma mensagem para Michelle, dizendo que a esperaria na universidade para saírem para jantar.
Por isso, quando Amanda entrou no apartamento, encontrou todas as luzes apagadas. Afastou como pôde a decepção por não encontrar Laura sozinha em casa, como acontecia toda sexta-feira, pois pretendia se desculpar por seu comportamento na noite anterior. 
De forma inexorável, um turbilhão de sentimentos se agigantou dentro dela enquanto caminhava no escuro até o próprio quarto. Afastou-o rapidamente, tomou banho e começou a se arrumar para ir a mais uma festa organizada pelo pessoal da faculdade. Por mais que estivesse saturada, naquele momento ficar em casa sozinha com os próprios pensamentos era uma impossibilidade.


Bruno foi a primeira pessoa que encontrou, estranhamente sozinho. Antes que pudesse perguntar, como se pudesse ler seus pensamentos ou talvez estes fossem completamente previsíveis, ele disse:
- A Débora não vem. Mas a Marina está logo ali.
Apontou com a mão que segurava a long neck, chamando atenção o suficiente para que Marina olhasse para os dois, deixando Amanda totalmente constrangida. Protestou:
- Bicha!
Ao invés de se desculpar, Bruno riu:
- Depois você me agradece.
Antes que Amanda pudesse dizer ou fazer qualquer coisa, Bruno piscou para ela e, com a rapidez de um raio, se afastou e sumiu. A compreensão atingiu Amanda menos de um segundo depois, ao sentir o calor da presença dela atrás de si:
- Amanda...
A maneira como Marina soprou seu nome, quase dentro do ouvido, causou em Amanda um primeiro arrepio. Virou para ela devagar, dolorosamente consciente de que entre elas havia apenas poucos centímetros. Ao contrário do que esperava, Marina não a tocou. Apenas sorriu:
- Quer uma cerveja?
Por mais que a achasse incrivelmente linda, interessante e sedutora, Amanda não pretendia ser tão fácil assim:  
- O que você quer?
Óbvio demais, quase pueril. Não a intimidou em nada, muito pelo contrário, estimulou Marina mais ainda: 
- A outra noite foi bastante divertida. Então pensei que talvez hoje possa ser igual, ou quem sabe, talvez até melhor...
Amanda tentou mostrar uma indignação que absolutamente não tinha:
- Você acha mesmo que eu...
Sequer conseguiu terminar a frase. Marina a enlaçou pela cintura com a mesma delicadeza com que aproximou a boca de seu ouvido:
- Eu sei que sim.
Estremeceu nos braços dela, antecipando o beijo que se seguiu, deliciosamente ardente, dominador e irresistível... Correspondeu como se o resto do mundo não existisse. 
Ao contrário da outra vez, Amanda não tinha tomado nada, sequer um gole de bebida. No entanto, sentia-se inteiramente embriagada por Marina. Tanto que não foi capaz de recusar quando ela propôs, num tom gentil e suave, mas imperativo:
- Vem comigo.
Quando chegaram na rua, como se antecipasse o maior temor dela - que houvesse de novo algum taxi ou primo envolvido - Marina esclareceu, única e exclusivamente porque quis:
- Estou de carro.
Sem saber direito o que pensar, Amanda apenas assentiu. Depois que entraram no veículo, se surpreendeu mais ainda, pois ao invés de rodar a chave na ignição, Marina se virou para ela e disse:
- Eu estava muito louca naquela noite. Costumo ser bem mais educada. Antes, durante e depois.
A última coisa que esperava dela era uma justificativa. Muito menos aquilo. Quase um pedido de desculpas. Não foi capaz de disfarçar a perplexidade, a mudez não lhe permitiu.
Com um sorriso que Amanda achou avassalador, Marina se aproximou, e falou:
- Então, pra não ficar nenhuma dúvida...
Roçou os lábios nos dela:
- Gosta disso?
Desceu pelo pescoço:
- Ou prefere assim?
Passeou pelo colo, depois ao redor de um dos seios:
- Você deixa?
Subiu a mão pela coxa de Amanda numa carícia intensa e abrasiva:
- Eu posso?
Parou no limite do elástico da calcinha:
- Você quer?
Completamente rendida, Amanda deixou escapar a resposta num suspiro. Era a mesma e única, para todas as perguntas:
- Sim...


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postado originalmente em 05 de Maio de 2017 às 18:00.








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2 comentários:

  1. Pronto, to apaixonada... e extremamente dividida, ?? Laura, Michelle e Marina... zizuis como sou volúvel...
    nem eu sabia qto k k k
    Genteeee... adorei este cap. Amanda girina tentando agarrar Laura com Michelle em casa?? O q foi aquilo? Não
    que eu ache q fazer alguma coisa sem a presença de Michelle seja permitido, mas a girina perdeu a compostura
    mesmooo... Ao menos Laura foi incisiva ao se negar. Débora tadinha vai ter q cantar em outra freguesia, ela é
    boa de mais para Amanda q gosta mesmo é de sacanagem. Marina é tão louca q seja a ser apaixonante e assim estou.
    A cada cap. me envolvo um tantinho mais, pois são realmente maravilhosos.
    Bjs Di.

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  2. Os hormønios de Amanda estão aos saltos, neste tumulto em que tudo é sentido à flor da pele, ela tanto tentou que acabou ficando entregue às mãos de Marina...Nesta instabilidade Laura resistiu bravamente à tentação...Quanto à Michele eu ainda não consegui deslindar o que motiva as suas atitudes...
    Muito bom estas personagens enigmáticas, repletas de camadas, que nos fazem andar à toa... kkk
    Bjs��

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