terça-feira, 21 de março de 2017

CAPÍTULO 19


Depois do almoço e de um milhão de abraços, beijos e recomendações, os pais e a irmã pegaram a estrada. 
Assim que se viu sozinha, Amanda mandou uma mensagem para Michelle no whatsapp. Nada demais, um simples “como vc está?”.
Ela visualizou de imediato.  Amanda não esperava, pois Michelle raramente acessava o celular. Demorou um pouco para responder, deixando Amanda numa ansiedade quase insuportável. 
Quando a resposta finalmente apareceu: “Indo. E vc?”
Resolveu ser direta: “podemos conversar?”
Foi mal interpretada: “Sim, pode falar”
Mas rapidamente esclareceu: “pessoalmente”
O resto da conversa fluiu sem nenhum atropelo:
“Tudo bem”
“pode ser hj?”
“Que horas e onde?”
“o que for melhor pra vc”
Teve o cuidado de não enviar emojis. Sabia que Michelle achava “uma idiotice incompreensível”, já a tinha ouvido afirmar mais de uma vez.
Marcaram às duas horas num café que Amanda não conhecia, mas jogou o nome no google e encontrou o endereço sem qualquer dificuldade. 
Escolheu o que vestir com cuidado, queria que Michelle a achasse bonita, que a olhasse do jeito que fizera antes de beijá-la. 
Percebeu que não seria fácil ao vê-la sentada com o celular nas mãos, olhando fixamente para a tela. Só percebeu a presença de Amanda quando parou ao seu lado. Fez menção de se levantar, mas Amanda foi mais rápida. Inclinou-se para cumprimentá-la, encostando o rosto no de Michelle e, ao se afastar, roçou os lábios de leve em sua face. Deliciou-se ao senti-la estremecer com o contato, pois ela mesma se arrepiou inteira.
A reação involuntária fez Michelle olhar realmente para Amanda. Era a segunda vez que o fazia, e a primeira tinha levado ao holocausto que sua vida se tornara. Exatamente por isso, não pretendia repetir. Por um instante, se perguntou o que estava fazendo ali e não foi capaz de responder. 
Em todos aqueles dias que haviam se passado, não tinha pensado em Amanda durante um segundo sequer.  Arrependeu-se. Deveria ter ligado ou mandado uma mensagem para saber onde e como ela estava, era o mínimo que poderia fazer. Tratou de corrigir a falha, se é que era possível:
- Desculpe não ter te ajudado como disse que faria, mas nesses últimos dias eu não estava em condições de ajudar ninguém. 
Depois que o garçom anotou os pedidos e as deixou novamente à sós, Michelle se sentiu compelida a continuar, precisava desabafar, verbalizar para tornar real e ao mesmo tempo expurgar um pouco o que estava passando e sentindo:
- Estou me separando da Laura, ou melhor, ela está se separando de mim. Eu saí de casa. Estou dormindo no sofá da Val. 
Prosseguiu no mesmo tom confessional, repleto de dor e sarcasmo:
- Não existe punição mais cliché para infidelidade, não acha? Mas eu bem que mereço isso.
Riu de uma maneira absolutamente amarga, tão repleta de dor que Amanda chegou a senti-la. Desejou ser capaz de retirar o sofrimento dela, pegar nem que fosse só um pouco para si:
- Eu sinto muito, eu... Não queria destruir seu casamento. 
Michelle olhou para a jovem mulher à sua frente e sorriu. Desta vez de uma maneira bem mais leve, que continha um toque firme de repreensão, mas também um inegável carinho:
- A culpa não é sua. Ninguém consegue destruir uma estrutura sólida. E você melhor do que ninguém sabe o quanto era frágil.
A surpresa de Amanda foi visível. Seus olhos se arregalaram, a boca se abriu, o corpo recuou até tocar no encosto da cadeira. Michelle fez questão de confirmar:
- A Laura me contou sobre vocês.
Amanda se projetou para a frente, voltou a apoiar as duas mãos na mesa, com o mesmo desespero que havia em sua voz ao tentar explicar:
- Foi só um beijo. Não foi nada.   
Ironicamente, as mesmas palavras de Laura. Michelle não teve como deixar de notar. Não passava de uma maneira gentil de amenizar a realidade. Da mesma forma, tinha afirmado que não havia acontecido nada de pessoal entre ela e Amanda. Mas naquele momento, pouco importava. Não possuía o menor interesse em descobrir e revelar mais verdades: 
- Não é uma cobrança. Você não precisa se justificar.
A indiferença com que falou fez Amanda afirmar de uma maneira ainda mais passional:
- Mas eu quero que você saiba, que tenha certeza de que não teve importância nenhuma. Foi completamente diferente do que aconteceu entre nós duas. 
Completou não só para deixar claro, mas também para experimentar, ouvir como soava:
- Eu e você.
Não precisaria de mais. Michelle era inteligente o suficiente para compreender. Ficou evidente no olhar que lançou para Amanda. Mesmo assim, ela fez questão de dizer com todas as letras:
- Michelle, estou apaixonada por você.
A reação de Michelle foi imediata:
- Não, você não está. 
Fez uma pausa antes de completar, de um jeito um pouco menos rude: 
- Só está querendo justificar o que aconteceu, diminuir a culpa que está sentindo.
Não houve hesitação alguma por parte de Amanda. Estava disposta a fazer Michelle entender, acreditar e aceitar:
- Eu não consigo parar de pensar em você. Desde aquela noite. O que eu senti com você foi algo que nunca senti antes. Foi especial.
Michelle respirou profundamente, preparando-se para contestá-la. Consciente de que, naquele momento, ser direta se fazia absolutamente necessário. Caso contrário, se arriscaria a ser mal interpretada ou a não conseguir cortá-la propriamente. No entanto, não costumava nem gostava de ser indelicada, mesmo numa situação como aquela. Acabou usando um tom quase didático:
- Amanda, foi sexo. Sexo muito bom, é verdade. Talvez por isso você esteja confundindo. Por que foi muito bom. Mas sexo, por melhor que seja, é só sexo, não tem nada a ver com estar apaixonada.
Amanda esperava rejeição, negação e até agressividade por parte de Michelle, mas não aquela superioridade condescendente. Atingiu-a de uma maneira muito mais cruel. 
Demorou alguns segundos para se recuperar, mas quando afinal o fez, não tinha perdido nem a firmeza nem a certeza. Muito pelo contrário. Olhou dentro dos olhos de Michelle ao afirmar:
- Sei muito bem a diferença. 
Michelle riu. Estava realmente se divertindo, pela primeira vez em dias:
- Você acha que sabe.
Ao invés de se sentir ofendida ou desqualificada, Amanda parou para admirar a beleza da mulher à sua frente. E percebeu a brecha que se apresentava. Aproveitou a descontração de Michelle para se inclinar para a frente e oferecer, com uma ousadia que lhe era totalmente desconhecida:
- Se você me der uma chance, posso te mostrar.
A despeito da falta de sutileza, a provocação se mostrou eficaz, pois o olhar de Michelle traçou um caminho involuntário, descendo pelo colo de Amanda, adentrando no decote e procurando os seios, exatamente como da outra vez. Sem esconder a satisfação, Amanda riu, inebriada pela recém adquirida percepção do poder que tinha:
- É muito bom saber que você também sente algo por mim.
Irritadíssima consigo mesma, Michelle se xingou mentalmente. Estava virando uma quarentona tarada, só podia ser isso, não tinha o menor cabimento. O fato era que, sempre que se permitia ficar à vontade com Amanda, se tornava vulnerável. Felizmente, existia uma explicação bastante palpável: 
- Sim, eu me sinto fisicamente atraída por você. Mas é só isso. Nada mais.
Amanda não disse uma palavra. Nem precisava. Apenas sorriu. 
Deixou que ela se debatesse internamente:
- Eu amo a Laura. E quero salvar o meu casamento. 
Era inegável. Tanto o desconforto quanto a dor e o desespero de Michelle. Pela primeira vez na vida de Amanda, o bem-estar de alguém pareceu mais importante do que o seu. Isso a fez retroceder completamente:
- Me desculpa. Você está sofrendo e eu estou aqui tornando a situação pior do que já é. Tem toda razão, eu não estou apaixonada, estou apenas deslumbrada por ter chamado a atenção de uma mulher tão interessante quanto você. 
Teria falado até mais se o garçom não a interrompesse. 
Um silêncio absoluto se instaurou enquanto eram servidas. Amanda manteve o olhar baixo, só voltou a erguê-lo depois que Michelle agradeceu e o rapaz se afastou. Deparou-se com olhos de Michelle fixos nela, observando-a atentamente. Deu-se conta de que não tinha mais porque permanecer ali, então afastou a cadeira e se pôs de pé:
- Pode ficar tranquila, eu não vou voltar a te procurar nem a te causar mais nenhum tipo de constrangimento. 
Teria se virado e saído se Michelle não ordenasse:
- Amanda, senta.
Amanda não pensou, apenas obedeceu. Mesmo sabendo que seria insuportável continuar sendo menosprezada por ela, tratada como uma criança imbecil que sequer sabe nomear seus sentimentos.
Foi com prazer e espanto que, assim que voltou a se acomodar na cadeira, ouviu Michelle propor algo diferente:
- Estou precisando muito tomar um café, esquecer dos meus problemas e conversar sobre coisas amenas. Então... Sem mais dramas, ok?


Assim que Michelle estacionou na frente do prédio, Amanda convidou:
- Quer subir?
Michelle nem hesitou. Aceitar estava fora de cogitação:
- Não, obrigada.
Não só porque se enfiar num apartamento sozinha com Amanda não era exatamente o que estava precisando nem pretendendo, mas por realmente ter outros planos. Amanda continuou sorrindo:
- Quem sabe outro dia?
Não esperou a resposta. Beijou Michelle no rosto e saiu do carro. Michelle sorriu, achando graça na impulsividade carinhosa e espontânea da jovenzinha. Acenou para Amanda depois que ela passou para o outro lado do portão e só então foi embora, decidida a fazer o que já deveria ter feito há dias: resolver as coisas com Laura.


Assustou-se ao encontrar o apartamento completamente revirado. A impressão que teve foi de que não havia uma única coisa no lugar. Mas o que mais lhe chamou atenção foi o espaço vazio na sala, onde antes ficava o sofá. 
À princípio, pensou que Laura não estava. Descobriu seu equívoco logo depois, quando a encontrou dormindo, com uma taça e uma garrafa de vinho vazias na mesinha de cabeceira ao lado da cama. Isso, somado ao fato de já passar de quatro da tarde, denunciava até que horas deveria ter ficado acordada. Reprimindo a vontade incontrolável que sentiu de tocá-la, beijá-la e tomá-la nos braços, recolheu as roupas do chão, pegou a taça e a garrafa e saiu do quarto. Deixou que dormisse, provavelmente ela precisava. 
Arrumou e limpou a sala, varreu e passou um pano na cozinha, lavou a quantidade inacreditável de louça suja que estava na pia, fez café, torradas e os ovos mexidos que Laura adorava, estava acabando de espremer algumas laranjas quando ela apareceu na sala:
- O que você está fazendo aqui?
Virou-se para Laura enxugando as mãos num pano de prato, com seu sorriso mais amoroso e sedutor:
- Senti saudade.
O sorriso de Laura foi absolutamente sarcástico:
- Do trabalho doméstico? Na Val não tem louça pra lavar?
O tom de Michelle não mudou:
- Senti saudade de você.
Laura caminhou até a cozinha enquanto afirmava, num misto de rancor, ironia e hostilidade:
- Você foi porque quis. Nunca te pedi pra sair de casa. 
Parou na frente de Michelle, lhe lançou um olhar mordaz quando perguntou:
- Não deu certo com a Amandinha?
A resposta de Michelle foi totalmente impulsiva. Falou sem pensar:
- Não seja ridícula.
Só serviu para que agressividade sadomasoquista de Laura aumentasse:
- Não treparam mais?
Por um instante derradeiro, em que o tempo pareceu entrar em suspensão, as duas ficaram frente a frente, separadas por uma distância indissolúvel, apesar de estarem a centímetros uma da outra. Paradas, apenas se olhando.
Foi Laura quem, por fim, quebrou o silêncio abissal e lancinante:
- Eu ia mesmo te ligar. Temos coisas pra resolver. Precisamos vender o apartamento, dissolver o contrato de união estável, dividir as nossas...
Michelle a interrompeu antes que pudesse concluir a frase:
- Não quero dividir nada. 
Deixou que as lágrimas escorressem enquanto continuava, com uma intensidade verdadeira e apaixonada:
- Não quero me separar de você. Eu quero voltar. Laura... Me perdoa. Por favor, me perdoa.
Aproximou-se, segurou o rosto de Laura entre as mãos, foi olhando dentro dos olhos dela que falou:
- Eu te amo...
Laura continuou paralisada, sem reação alguma. No auge de seu desespero, Michelle repetiu, com ainda mais ardor:
- Eu te amo. 
Queria, precisava, tentou beijá-la. Mas Laura não permitiu:
- Para com isso.
Soltou-se de Michelle e afastou-se:
- Eu não quero, eu não acredito mais. 
Foi de costas para ela que disse:
- Acabou.
Michelle avançou, ficou tão próxima que Laura conseguiu sentir a respiração em seu pescoço quando ela pediu, num sopro embargado pelo choro:
- Diz isso olhando pra mim.
Laura não queria, nem podia. Permaneceu imóvel e calada, tentando inutilmente controlar... Ao menos a própria respiração. 
Com o carinho e a delicadeza que lhe eram peculiares, Michelle segurou Laura pelos braços. Um toque dolorosamente conhecido, uma familiaridade que a fez se virar, afinal. 
Quando os olhos se encontraram, mostrou-se impossível. Fazer o que, aos prantos, Michelle agora exigia:
- Diz que acabou, diz que não quer mais, diz que não me ama mais, olhando pra mim.
Duas lágrimas, que escorreram e caíram, foram sua resposta. Michelle ergueu as mãos e enxugou-as do rosto de Laura. Aproximou a boca da dela, encostou os lábios. De início um leve roçar apenas, que aos poucos foi se transformando num beijo sem nada de suave, as línguas se buscando, se encontrando, se tomando como se pudessem trazer o esquecimento e a volta à normalidade que ambas tanto necessitavam. 
Mas não passava de uma ilusão irrealizável. Pois o contato, a materialização física do quanto ainda amava e desejava Michelle, atingiu Laura com a força de um terremoto que faz tremer um prédio e o desaba, trazendo de volta a certeza inegável do que tudo aquilo realmente se tratava: um casamento e uma relação insustentáveis, frágeis a ponto de tão facilmente se destroçarem. 
Foi isso que a fez empurrar Michelle e se afastar. 
Permaneceram em silêncio, durante um tempo que nenhuma das duas foi capaz de mensurar.
O olhar de Laura para Michelle foi uma visão profunda de dor e mágoa. Intensamente sombrio, algo que ela mesma havia provocado:
- A única coisa que eu queria saber é porquê.
A despeito do quanto aquilo saiu baixo, quase sussurrado, Michelle escutou perfeitamente. Mais do que isso, o questionamento foi registrado por cada parte de seu corpo, não apenas pelos ouvidos e mente. Não disse nada por que não tinha a resposta, simplesmente não existia. 
Apenas a certeza única e derradeira que possuía:
- Isso não significa que eu não te amo.
Caminhou até ela, tentou tocá-la, mas Laura desvencilhou-se. A gargalhada dela ecoou pela cozinha:
- Me ama e faz sexo com a primeira que aparece.
Expôs quase com brutalidade, a dúvida que há dias a perseguia:
- Isso se foi a primeira vez. Se você já não fez antes. Se não passou todos esses anos me traindo.
Michelle tinha plena consciência de que não tinha direito algum de se sentir indignada, muito menos ofendida. Mesmo assim, ficou. Respirou fundo para ser capaz de responder com serenidade:
- Você sabe muito bem que não.
Inútil. Naquele momento, não havia nada capaz acalmar o turbilhão que Laura trazia por dentro:
- Não, eu não sei. Como eu posso saber? Ah, tá... Por que você me contou! Isso diminui a sua culpa? O fato de ter me contado?
Deixou escapar um suspiro exasperado. Passou as mãos nos cabelos, jogando-os para trás, numa tentativa de conter um pouco da fúria que a tomava. Em vão. Deixou-se levar completamente pela raiva, mastigou com um prazer sádico cada palavra:
- Não pense que eu acho que você me contou por arrependimento. Sei muito bem porque você me contou. Não foi porque se arrependeu. Tanto que até agora não disse, não conseguiu me dizer que está arrependida e que não faria de novo. Contou pra diminuir a sua culpa, pra ser perdoada.
Respirou audivelmente antes de dizer, de uma forma angustiantemente derradeira e pausada:
- Pois eu não te perdoo.
Sem ser capaz de interromper nem diminuir o choro, com as lágrimas ainda transbordando e a dificuldade de falar causada pelo pranto, Michelle defendeu-se como pôde:
- Vinte anos e um único deslize destrói tudo? O que vivemos juntas não vale nada? É como se nunca tivesse existido?
Laura quase não acreditou. Deixou que toda a revolta que estava sentindo explodisse:
- Você chama isso de deslize? Você transou com uma garota no sofá da nossa casa!
Irrompeu numa mistura abrupta e assustadora de choro e riso. Insuportável para Michelle presenciar e permanecer impassível. Tentou puxá-la para os seus braços, mas Laura lutou e se desvencilhou, jamais permitiria:
- Não me peça perdão. Seria mais digno de sua parte se você admitisse que não resistiu a ela.
A frase de Laura, muito mais do que o empurrão que levou, fez Michelle perder o equilíbrio. Apoiou-se contra a pia. Foi com as mãos sobre o mármore ainda que ergueu a cabeça e sustentou o olhar dela:
- E você, resistiu?
Questionamento que, para Laura, não tinha mais importância nem fazia diferença alguma. Serviria apenas para atirá-las de volta ao redemoinho de cobranças, decepções, deslealdades e culpas. Não tentou disfarçar a própria exaustão:
- Michelle, vá embora, por favor.
Passou por ela e caminhou até a sala, com Michelle a segui-la:
- Laura, me escuta... 
Laura se virou para ela, deixou clara a razão de não estar disposta a atender o pedido:
- Seja o que for que você tenha pra me falar não vai mudar nada.
O desespero de Michelle ultrapassou todo e qualquer limite ao deparar-se com o fato de, pela primeira vez, parecer real. Inevitável e imutável. A terrível sensação de perdê-la. Seria capaz de tudo, qualquer coisa para que não acontecesse:
- Você quer que eu diga que me arrependo? Pois eu estou arrependida. Eu me arrependo.
Laura balançou a cabeça de um lado para o outro sem nem perceber, num movimento de negação quase imperceptível, seguido pelo sorriso mais melancólico que Michelle já havia visto:
- Sabe o que é o mais triste? Eu te conheço. Não tanto quanto eu pensava, acabei de descobrir isso da pior forma possível. Mas o suficiente pra saber que você está mentindo.
Afirmação incontestável. As duas tinham plena consciência disso. Da mesma forma, era indiscutível o que Michelle disse:
- Eu te amo.
Os olhos se encontraram e foi recíproco:
- Eu também te amo. 
Caminharam juntas, uma na direção da outra, se encontraram no caminho. Michelle pousou as mãos nos ombros de Laura e encostou a testa na dela, que a enlaçou pela cintura, num abraço repleto do vínculo que nenhuma das duas poderia negar, do qual era impossível fugir: o companheirismo e o sentimento de tantos anos compartilhados, de tudo que as unira. No entanto, não tinha o poder de apagar o que havia acontecido, muito menos de restaurar o que havia se quebrado e se perdido no caminho.
- Mas não quero, não posso mais. Eu não consigo.
Estava fora do alcance de Michelle compreender ou aceitar. Precisava demovê-la, convencê-la do contrário. Não importava o que custasse. Agarrou-se à Laura e implorou:
- Vamos tentar. Por favor... Só tentar.
Segurou o rosto dela entre as mãos e a beijou. Foi tomada por uma felicidade extrema, que beirava o êxtase, quando Laura correspondeu. 
Só compreendeu depois, quando as bocas se separaram e os olhos se encontraram, que era um adeus:
- Vai embora, por favor.


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MÚSICAS QUE INSPIRARAM O CAPÍTULO:


postado originalmente em 19 de Maio de 2017 às 18:00.








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3 comentários:

  1. Capītulo sem artificios, a realidade foi exteriorizada de maneira nua e crua...Foi palpåvel e sentida a dor de Michelle e Laura. Sem mais ilusões vão fazer a travessia do deserto para descobrir o q conseguem fazer com o que restou delas...Eu adoro quando sou levada com mestria ao esquadrinhar de sentimentos, no dialogo delas, eu olhei de uma para outra e estava lå tudo...Amanda ė que ainda mantėm as suas ilusões...Adorei a teoria da quarentona tarada de Michelle kkkk pode ter alguma razão, pq uma nos quarenta e , começa a passar por uma mudança de hormónios, voltam a andar aos saltos com a aproximação dos 50... Conclusão os culpados deste sofrimento todo são os hormönios... kkkk Perfeita a maneira como angustia transpôs as palavras escritas e se materializou deste lado...
    Vamos ver o que nos reservas para terça...
    Bjs ;)

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  2. Ufa!!! Fiquei até sem fôlego com esse capítulo. Sei lá, mas algo me diz q não acaba, é como a Michelle falou, são 20 anos, uma vida inteira. A Laura ainda tá muito magoada, mas acho q a Michelle não vai desistir, eu não desistiria.

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    Respostas
    1. Caramba! Que história! Não consigo parar de ler! Esse capítulo, foi de tirar o fôlego!

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