terça-feira, 21 de março de 2017

CAPÍTULO 27


Michelle percebeu e compreendeu a verdadeira intenção de Amanda assim que ela abriu a porta e a deixou entrou entrar. Havia um clima romântico cuidadosamente instaurado, que começava com a meia luz do abajur de chão, passava pelo aroma agradável no ar, a cama adornada com almofadas que a tornavam ainda mais convidativa e terminava na música escolhida com uma perfeição admirável. “I put a spell on you” na voz inigualável de Nina Simone, tocando num volume baixo. 
Enquanto colocava a bolsa sobre uma das cadeiras, Michelle elogiou:
- Que ótimo esse incenso! 
Depois de trancar a porta, Amanda se virou para ela:
- É sândalo. Sem carvão.
Com uma tensão e um nervosismo indisfarçáveis, caminhou na direção de Michelle, parou deixando meio metro entre as duas:
- Quer beber alguma coisa? Uma cerveja? Um vinho? Um suco? Uma água?
Michelle sorriu. Respondeu de forma pausada:
- Não. Obrigada.
Ergueu a mão lentamente, acariciou o rosto de Amanda com suavidade:
- Está gostando de morar sozinha?
O corpo de Amanda estremeceu, de forma inteiramente involuntária. Ela sorriu e só conseguiu dizer:
- Aham.
E mais nada. Com uma facilidade simples e despojada, esperou que Michelle continuasse. E foi exatamente o que Michelle fez. Praticamente sussurrou:
- Que bom...
Num tom grave, rouco, baixo. A boca já procurando a de Amanda, os lábios roçando, provocando, incitando... À princípio de um jeito doce, repleto de ternura e depois, aos poucos, aumentando a intensidade. 
Amanda suspirou, gemeu, passou os braços ao redor do pescoço de Michelle e se ofereceu por completo, pronta para dar tudo que ela desejasse.
Michelle não estava acostumada a ter tamanho poder sobre outra mulher. A impressão que tinha era de que Amanda arderia e derreteria em seus braços, de forma incondicional. Estranhou e, ao mesmo tempo, se encantou com tal entrega. Perdeu totalmente a racionalidade.
“Quero mais... Muito mais...”
Foi só o que conseguiu pensar, enquanto a conduzia para a cama, sem parar de beijá-la. Sentou no colchão, trazendo-a junto, fez Amanda ajoelhar, encaixou-a com as pernas abertas sobre ela, queria aproveitar ao máximo. Desceu a boca pelo pescoço, passeou pela curva, continuou pelo ombro... Afastou a alça de um lado, depois fez o mesmo com o outro, fazendo o vestido cair, desnudando-a até a cintura. Admirou a firmeza e a beleza dos seios antes de tomá-los com uma das mãos e com a boca. 
A sofreguidão com que Michelle lambeu, sugou e mordiscou fez Amanda gemer alto. Ficou sem ar, tamanho foi o prazer causado pela carícia tantálica. Pensou que fosse desfalecer quando a mão direita dela a tocou entre as pernas com uma precisão indescritível, primeiro por cima do tecido e depois por baixo, dentro da calcinha, deslizando com deliciosa facilidade.
Michelle soprou, enquanto a penetrava:
- Tão molhadinha... Deliciosa demais...
Levando Amanda à loucura. Dançou nos dedos dela, mas era Michelle quem ditava o ritmo, a profundidade, a intensidade... Amanda apenas acompanhou, delirando em seus braços.
- Isso... Dá gostoso pra mim, dá...
A frase lançada em seu ouvido fez Amanda atingir o mais fantástico de todos os orgasmos, levando em conta a veemência, a força e a rapidez com que o tinha alcançado. 
Permaneceu agarrada a ela até a respiração retomar ao ritmo habitual. Deixou escapar num suspiro:
- Você é maravilhosa... 
Michelle riu, igualmente enfeitiçada:
- Estou apenas começando....
Amanda desgrudou o rosto do de Michelle e a olhou nos olhos:
- Estamos. 
Pôs-se de pé, deixou o vestido escorregar para o chão, fez o mesmo com a calcinha. Retornou para as mãos de Michelle, que a buscaram com a urgência que a ver inteiramente nua fez ressurgir. Mas não era isso que Amanda pretendia. Precisava igualar, equiparar, buscou isso despindo-a. Começou abrindo os botões da blusa de Michelle, traçou com a boca um percurso incendiário em sua pele. Quando Michele deu por si, também estava nua e inteiramente dominada, rendida a ela. 
Com as duas mãos nos ombros de Michelle, Amanda a empurrou para trás e disse, num tom deliciosamente imperativo, quase uma ordem: 
- Deita.
Michelle obedeceu, sem pensar em resistir ou protestar. Deixou escapar um suspiro quando Amanda se encaixou e começou a se mover sobre ela:
- Vem... Quero te sentir... 
Acariciou as costas de Amanda, arranhou a pele com as unhas, instigando-a com total receptividade:
- Ai, assim... Minha deliciosa... Meu tesão...
Fazendo Amanda se arrepiar inteira. Ao contrário da primeira vez em que tinham estado juntas, Michelle parecia disposta a falar. O que para Amanda era ao mesmo tempo surpreendente e extremamente excitante, um estímulo erótico a mais. 
Segurou os seios dela nas mãos, depois os colocou na boca, provou primeiro um, depois o outro. Passou a língua ao redor do bico e então mordeu, chupou, sugou... 
Conduziu sem nenhuma dificuldade, os gemidos de Michelle a guiaram o tempo inteiro. Percorreu o corpo dela, conhecendo, descobrindo, aprendendo de cor o ponto certo em que toda e qualquer delicadeza se transformava em perda da razão. Imprimindo um andamento que rapidamente fez Michelle estremecer e se contorcer debaixo dela e anunciar:
- Eu vou... Vou gozar...
Lançou de volta, com mesma dificuldade de falar:
- Também... Vou...
Uma confissão da própria desvantagem, pois com Michelle, não conseguia, era impossível se segurar ou se controlar. 
Beijou-a com ardor, de forma absolutamente arrebatada. Explodiram juntas, Michelle puxando-a contra si com força. Um prazer inigualável tomando conta de Amanda enquanto acompanhava Michelle num gozo longo, violento, extraordinário...
Depois, relaxou o corpo e ficou ali, largada sobre ela. Quando as respirações voltaram ao normal, se apoiou nos cotovelos e beijou Michelle nos lábios. 
Sorriu para ela, com uma satisfação indisfarçável:
- Nossa... Estou acabada...
Michelle riu. E provocou:
- Já?
Escorregou uma das mãos pela nuca de Amanda com o mesmo carinho e suavidade com que a puxou, colou os lábios nos dela e a beijou. 
Respirando juntas, no mesmo andamento, viraram e trocaram de lugar. De uma forma insaciável, Michelle percorreu cada pedacinho do corpo de Amanda com a boca e as mãos. Queria prová-la, saboreá-la, percorrê-la e recebê-la em sua boca, beber dela como de um oásis... Mergulhou com avidez no que lhe era tão generosamente ofertado. Sabia, sentia que Amanda estava ali para ela, de corpo e alma. Da mesma maneira como, naquele instante, ela também estava.
Com os olhos fechados e as mãos enfiadas nos cabelos de Michelle, Amanda se rendeu ao inevitável. Estava completamente apaixonada, o que fazia com que o sexo se tornasse ainda mais fantástico. Claro que Michelle possuía uma habilidade que para Amanda era novidade. Mas acima da parte física, existia a força incontrolável, perfeita, quase fantástica, que a fez gritar o nome dela entre gemidos enquanto atingia o clímax uma vez mais.
Sentiu Michelle subindo, até o corpo todo ficar sobre o seu. Enlaçou-a pelo pescoço e se deixou ser beijada, mas não foi capaz de corresponder com a mesma voracidade. Falou com a boca na dela, ainda de olhos fechados:
- Eu preciso mesmo de uma pausa.
Depois de um último beijo, Michelle se deitou de costas ao lado de Amanda, que logo depois se levantou, caminhou até a geladeira e voltou a oferecer:
- Quer beber alguma coisa?
Desta vez, Michelle aceitou:
- Água seria bom.
Continuou deitada, aproveitou para observá-la enquanto Amanda enchia dois copos com água gelada, guardava a garrafa de vidro e voltava para a cama. Sentou no colchão e, segurando o copo que lhe foi oferecido, a questionou:
- Amanda, você não está com fome? Vi que não comeu nada lá no bar.
Uma preocupação natural, uma gentileza que teria com qualquer pessoa. Para Amanda, soou maternal demais. Por outro lado, significava que Michelle tinha prestado atenção nela. A conclusão final fez com que sorrisse, relevando a primeira parte:
- Eu comi no RU. E você, quer comer alguma coisa?
A recusa de Michelle se deu não só pela ausência de fome, mas também por saber perfeitamente que as habilidades culinárias de Amanda se limitavam a sanduíche, ovo e macarrão instantâneo:
- Estou bem assim.
Terminou de beber a água e, antes que pudesse encontrar um lugar para depositar o copo, Amanda o retirou de suas mãos. Colocou junto com o dela sobre a mesa onde ficava o notebook. Quando se virou, deparou-se com o olhar absolutamente ardente de Michelle sobre ela. Aproximou-se com uma lentidão proposital:
- Onde estávamos mesmo?
Parou na frente de Michelle, que subiu as mãos pela lateral do corpo de Amanda antes de puxá-la de volta para a cama:
- Aqui...
Tentou ficar por cima, mas Amanda não permitiu:
- Minha vez.
Foi a única coisa que disse, antes de mergulhar a boca no sexo dela, com uma avidez faminta e apaixonada, que não permitia rodeios, artifícios, muito menos preliminares.


Quando Amanda acordou na manhã seguinte, Michelle ainda estava dormindo. Não se soltou, permaneceu nos braços dela, afastou-se apenas o suficiente para poder admirá-la, ainda sem acreditar que ela estava mesmo ali. 
Passou os dedos de leve em seu rosto, numa carícia suave, fazendo-a sorrir. Logo depois, Michelle abriu os olhos. Amanda cantarolou:
- Bom dia! 
Com um sorriso chamejante, que Michelle achou lindo. Sorriu de volta:
- Bom dia...
Depois de beijá-la de leve nos lábios, Amanda se levantou:
- Vou fazer um café pra gente.
Sabia que Michelle não era ninguém antes da primeira xícara. Colocou o pó, a água e, enquanto a cafeteira funcionava, abriu o armário e perguntou:
- Quer uma camiseta?
Para sua surpresa, Michelle aceitou:
- Por favor.
Estendeu uma para Michelle e vestiu outra. Só depois que se serviram de café lembrou:
- Estou indo pra Rio do Sul hoje, vou passar dez dias do recesso na casa dos meus pais, por isso não tenho nada na geladeira.
Estava visivelmente constrangida. Segurando a mão dela com carinho, Michelle tranquilizou-a:
- Tudo bem. Café está bom por enquanto. 
Aliviada, Amanda roçou os lábios nos de Michelle antes de sugerir:
- Tem uma padaria aqui embaixo. Podemos ir lá depois.
Após conferir o relógio do celular e ver que já era quase meio dia, Michelle fez uma contraproposta:
- Quem sabe podemos almoçar?
O fato de Michelle não sair correndo assim que acordou, como Amanda esperava que acontecesse, a deixou repleta da mais intensa felicidade. Mais ainda quando Michelle ofereceu:
- Te levo na rodoviária depois.
Por mais que quisesse, não poderia aceitar sem dizer:
- Meu ônibus é só às seis.
O sorriso que Michelle lhe lançou, e o beijo que trocaram só serviu para alimentar a impressão de estar nas nuvens:
- Não tem problema, eu espero com você.
Inacreditável, por mais real que fosse.


Durante o almoço, Amanda se deu conta de que, até aquele momento, ainda não havia perguntado o que realmente importava:
- Como você está? 
Michelle respondeu com melancolia:
- Me reconstruindo.
Amanda imaginava o quanto deveria estar sendo árduo. Queria ajudar, tornar aquele recomeço menos penoso e difícil, deixar claro que estaria ao seu lado, com ela e para ela se Michelle quisesse. Entretanto, sabia que se não o fizesse com sutileza e serenidade a assustaria e afastaria:
- E nessa reconstrução tem espaço pra alguém?
O tom leve e bem-humorado fez Michelle sorrir:
- Os espaços vão se preenchendo à medida que o tempo passa e as coisas vão acontecendo.
Imediatamente, sem perder tempo algum, Amanda perguntou:
- Posso te ligar?
Ao perceber que Amanda tinha não só entendido, mas sido bem rápida na resposta e no raciocínio, Michelle riu:
- Por que não?
Achando a inteligência emocional dela extremamente sedutora.


Na rodoviária, apenas se abraçaram. O beijo de despedida tinha sido antes de saírem do apartamento de Amanda. 
Ali, Amanda só a beijou no rosto, roçando sua boca estrategicamente no cantinho dos lábios dela. Apertou o corpo de Michelle mais uma última vez contra o seu antes de caminhar puxando a mala. Michelle ficou parada, vendo Amanda se afastar. Involuntário o sorriso que bailou em seus lábios quando ela se virou e acenou antes de atravessar a porta de embarque. 
Acenou de volta, Amanda mandou um beijo, fazendo o sorriso de Michelle aumentar, e só então foi realmente embora. 
Assim que Michelle entrou no carro, seu celular tocou. Nem precisou olhar, sabia que era Amanda:
- Só queria te dizer que adorei.  Tudo que aconteceu ontem e hoje foi maravilhoso.
Não foi pensado, nem calculado. Michelle também disse o que estava sentindo:
- Maravilhosa é você.
Foi para casa com uma sensação de leveza, felicidade e fascínio que há muito não sentia. A mesma que Amanda levou dentro de si.

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postado originalmente em 03 de Junho de 2017 às 18:00.






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Um comentário:

  1. A leveza, o encanto, o feitiço que elas viveram hoje foi uma delicia de se ler... Mais do que evidenciado e condensado nesta frase"...percorŕeu o corpo dela, conhecendo, descobrindo, aprendendo de cor o ponto certo em que toda e qualquer delicadeza se transformou em perda de razão..." Mas apesar de me ter deliciado com este capītulo esta relação não me convence, estão as duas deslumbradas pelas suas diferenças, agora se esse encanto vai se aguentar e progredir...não sei não... ;)
    Bjs :)

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