terça-feira, 21 de março de 2017

CAPÍTULO 30


Gabriela sugeriu um bar perto da academia e Laura concordou imediatamente. Não conhecia, mas o lugar era o que menos importava naquele momento. Bastava estar sentada na frente dela, a conversa fluindo com facilidade, numa sedução direta, determinada e ao mesmo tempo suave, sem nada de agressiva. Regado a chope, o prazer de, pouco a pouco, irem se conhecendo. 
Ficou surpresa ao saber que Gabriela tinha 43 anos:
- Não parece mesmo!
Ela riu:
- Você não aparenta ter 48 também.
Foi a vez de Laura rir:
- Como você sabe quantos anos eu tenho?  
De um jeito irresistivelmente malandro, Gabriela piscou para ela:
- Pesquisei.
Deu um gole no chope antes de completar:
- Faz tempo que estou de olho em você.
Claro que se sentiu lisonjeada, mais do que isso, Laura estava inteiramente deliciada com a ausência de disfarces e rodeios. Apoiou o queixo nas mãos e os cotovelos sobre a mesa, sorriu sem esconder o quanto estava gostando:
- E o que mais você descobriu sobre mim?
Gabriela ergueu a mão e fez sinal para o garçom trazer mais dois chopes antes de responder:
- De útil quase nada. Seu cadastro não estava completo. Faltou a informação que eu mais precisava. Você não preencheu o seu estado civil, o que dificultou um pouco a abordagem, já que me parecia bastante improvável você estar solteira.
Tentou imaginar como seria a abordagem mais fácil, uma vez que a difícil tinha sido tão simples, direta e rápida. 
Perguntou para incitá-la ainda mais:
- Improvável por quê?
Exatamente como esperava, Gabriela não se fez de rogada. Foi direta, disse com todas as letras:
- Mulheres bonitas e interessantes nunca estão solteiras.
Laura aproveitou a deixa:
- Quer dizer então que você não está?
Os olhos de Gabriela brilharam, o sorriso que lançou para Laura foi igualmente chamejante:
- Ponto pra você.
O garçom chegou na mesa e trocou as tulipas vazias por duas cheias. Agradeceram juntas:
- Obrigada. 
Riram e beberam, Gabriela observando Laura, ou melhor, devorando-a com os olhos, de um jeito que a deixou muito próxima de perder a cabeça:
- Se você continuar me olhando desse jeito, vou te beijar aqui mesmo.
Num movimento instintivo, absolutamente involuntário, Gabriela projetou o corpo para a frente e entreabriu os lábios:
- E por que não beija?
Talvez, se não estivesse ainda no segundo chope, Laura tivesse aceitado o convite sem hesitar. Mas não estava alcoolizada a ponto de não se importar com as pessoas a sua volta. Sempre tinha sido muito discreta, preferia não se expor. E Michelle aceitava e compreendia perfeitamente. Mas pelo visto, Gabriela pensava diferente. Sem ter como explicar e se justificar sem uma longa e cansativa exposição de prós e contras, apenas indicou o entorno:
- Então... 
Não precisou de mais para ser compreendida:
- Se o problema é o lugar, vamos sair daqui. 
A resposta de Laura foi igualmente franca e objetiva. Chamou o garçom e pediu:
- A conta, por favor.


Assim que saíram do bar, Gabriela falou:
- Eu moro aqui perto. O que acha?
Laura aceitou sem hesitar.
Somente quando chegaram no apartamento e Gabriela fechou a porta atrás dela, o nervosismo começou a dominá-la. Depois de Gramado, acreditar em si mesma tinha se tornado uma tarefa árdua. 
Olhou para o sofá e aí o pânico ameaçou tomá-la realmente. No entanto, Gabriela não poderia ser mais perfeita. Aproximou-se devagar, com a mesma lentidão com que passou os braços ao redor do pescoço de Laura e se ofereceu ao invés de avançar. Com os lábios entreabertos e um olhar absolutamente intenso, apenas esperou pelo beijo. 
Coube a Laura tomar a boca de Gabriela na sua e, quando o fez, foi recebida com total veemência. Puxou-a pela cintura e mergulhou nela por inteiro.
Sem parar de beijá-la, tirou a blusa e o sutiã de Gabriela, acariciou os seios, desceu a boca e chupou, lambeu, sugou, com mais avidez ainda ao ouvi-la dizer:
- Eu sabia que você tinha pegada...
Gemeu de uma maneira deliciosa antes de completar:
- Desde a primeira vez que te vi toda gostosa e suada correndo na esteira...
Arrancou e jogou a camiseta de Laura no chão, fez o mesmo com a calça. Laura a virou, colou o corpo nas costas dela, manteve uma das mãos nos seios, a outra desceu numa carícia abrasadora pelo ventre, invadiu a calcinha, arrancando um gemido mais alto. Ao encontrá-la tão deliciosamente úmida, pulsante e rendida, deixou escapar, de pura surpresa:
- Uau...
Com a cabeça jogada para trás e apoiada em Laura, com o braço direito ao redor do pescoço dela, a mão em sua nuca, enfiada nos cabelos, Gabriela fez questão de dizer, com a dificuldade que contato ardente imprimia:
- Estou louca de tesão por você.... 
O suficiente para afastar toda e qualquer insegurança que Laura ainda pudesse ter. Sussurrou no ouvido dela:
- E eu por você...
Sem parar de acariciá-la, fez Gabriela virar o rosto e a beijou, com toda a sua vontade e desejo. Quando as bocas se separaram, em buscar de ar, Gabriela avisou:
- Assim vai ser... Muito rápido...
Para Laura também seria fácil, poderia gozar ali mesmo, daquele jeito. Mas exatamente como Gabriela, queria mais. Prolongar o momento. Mordeu o lóbulo da orelha dela, fazendo-a se arrepiar inteira:
- Aonde é o quarto?
Sem se afastar de Laura um milímetro, Gabriela a guiou:
- Por aqui...
Assim que chegaram no quarto, Laura fez Gabriela se sentar na beira da cama e livrou-a da calcinha. Com a última peça de roupa dela no chão, se ajoelhou entre as pernas de Gabriela e a beijou, saboreando a delícia que era tê-la inteiramente despida ali, só para ela. E a certeza de ser recebida e correspondida com a mesma necessidade. 
Gabriela a envolveu com os braços e as pernas, apertando-a com força contra si mesma, arranhando os ombros e as costas de Laura, sussurrando palavras excitantes em seu ouvido. A boca de Laura desenhou uma linha de fogo no pescoço de Gabriela e desceu para os seios. Gabriela gemeu, suspirou, mordeu a orelha de Laura, se esfregou nela com loucura. As mãos de Laura desceram, acariciaram e tocaram o sexo de Gabriela, que acompanhou o andamento que ela imprimiu, gemendo alto quando Laura a penetrou e de novo quando intensificou os movimentos. Olhou-a nos olhos e falou:
- Estou quase... 
Para desespero de Gabriela, Laura a torturou:
- Ainda não...
Provocando, incentivando, estimulando insuportavelmente, levando-a quase ao limite e depois parando. Mostrando domínio e habilidade absolutos sobre o corpo dela, fazendo-a vibrar e se entregar completamente à delirante falta de controle. 
O poder era todo de Laura, que o exerceu de forma abusivamente envolvente, dominadora e exigente. Mas ainda não estava satisfeita. Grudou a boca no ouvido dela e soprou:
- Quero te chupar...
Antes de descer os lábios pelo corpo de Gabriela e finalmente fazê-la gozar, gemendo, gritando e se contorcendo lindamente. 
Quando Laura voltou a erguer o rosto, Gabriela a abraçou e beijou. Depois, recuou, se deitou no colchão e chamou:
- Vem cá...
Laura a atendeu prontamente. Deitou em cima de Gabriela, voltou a beijá-la, se encaixou e começou a se mover sobre o corpo dela. 
Gabriela desceu as mãos pelas costas de Laura, passando as unhas de leve em sua pele, fazendo-a se arrepiar e estremecer involuntariamente. Provou os seios dela, primeiro com as mãos, depois com a boca. Voltou a beijá-la, apertou Laura com força, estremeceu, gemeu:
- Vou gozar de novo...
Agarrada nos ombros Laura, Gabriela gemeu de forma mais intensa. Com o corpo já tomado pelos primeiros espasmos, chamou:
- Goza comigo... Vem...
Incitação irresistível, impossível não atendê-la. O ritmo de Laura se tornou ainda mais ardente, um êxtase inebriante a possuiu por inteiro, enquanto acompanhava Gabriela num orgasmo longo, arrebatador e maravilhosamente intenso.


A intenção de Michelle era ir dormir em casa, mas o tempo passou sem que percebesse, quando deu por si já era bem mais tarde do que a hora que pretendia sair, e Amanda pediu de uma forma irresistivelmente dengosa:
- Não vai, fica aqui comigo...
Depois se aconchegou ainda mais no corpo de Michelle, tornando o pedido irrecusável.
Óbvio que, ter Amanda nua na cama, inteiramente acessível e receptiva em seus braços, fez Michelle dormir bem menos do que estava acostumada. 
Prepararam e fizeram o desjejum juntas, mas tomaram banho separadas. Se entrassem as duas no chuveiro, com certeza se atrasariam. 
Precaução que não serviu para nada, pois ao ver Amanda saindo do banheiro com os cabelos molhados e enrolada apenas numa toalha, Michelle não resistiu. Puxou-a de volta para a cama, com a mesma rapidez com que arrancou as roupas que ainda nem tinha terminado de vestir.


O despertador de Laura tocou no horário programado, que lhe daria tempo para ir em casa trocar de roupa, mas a noite havia se prolongado madrugada adentro, deixando-a exausta e, além disso, quando olhou para Gabriela, encontrou-a dormindo tão profundamente ao seu lado que teve pena de acordá-la. Reajustou o alarme para mais tarde, o suficiente para conseguir tomar banho e café sem ter que sair correndo para o trabalho.
Não contou com os minutos deliciosos com Gabriela no chuveiro, nem a infinidade de beijos antes de conseguir soltá-la e sair do apartamento. 


Michelle atravessou a distância entre o estacionamento e o prédio praticamente correndo. Quando chegou no pé da escada, quase esbarrou em Laura, vinda da direção contrária, mas cuja pressa era a mesma. 
Durante um instante ínfimo, que seria imperceptível para quem passasse, as duas se avaliaram, se percorreram com os olhos de cima a baixo, captando cada pormenor e todos os detalhes que, ironicamente, eram idênticos. Ambas com a roupa que estavam usando na véspera, de cabelos molhados e atrasadas por razões equivalentes.
Galgaram os degraus alternando em centímetros quem ia na frente. Michelle até tentou, mas não foi capaz de conter-se:
- Voltou à ativa?
Laura foi sarcástica também:
- Você não?
Chegaram ao fim da escada, mas não das provocações. A resposta de Michelle foi ainda mais mordaz:
- Não tanto quanto você.
Levando Laura a ser de uma crueldade quase agressiva:
- Não tenho culpa se você preferiu ser babysitter.
O diálogo ficou sem ser concluído, pois naquele instante, chegaram na frente da sala do núcleo, onde a reunião já havia começado há alguns minutos. 
Tentando se recompor, Laura respirou fundo. Michelle fez o mesmo. Depois, abriu a porta e, sem pensar, por pura força do hábito, fez sinal para que Michelle passasse na sua frente. 
A despeito da vontade de recusar que teve, Michelle não o fez, pois todos os olhares estavam voltados para elas e tinha se instaurado o mais profundo silêncio. Desculpou-se, atravessou a sala e se sentou em uma das cadeiras vazias. Depois de se desculpar também, Laura se acomodou no oposto extremo.
A reunião continuou e pareceu que a entrada delas havia sido esquecida. Para surpresa de Laura, alguns minutos depois, a colega que estava sentada ao seu lado - e que dividia a sala com ela - se inclinou em sua direção e perguntou baixinho, para que apenas Laura ouvisse:
- Vocês voltaram?
Ainda sem acreditar, olhou para a enxerida e disse:
- Óbvio que não.
Negação que não foi nem um pouco eficaz, pois algumas horas depois, Michelle passou na secretaria para resolver as matrículas dos alunos especiais da pós graduação e uma das funcionárias com quem sequer tinha intimidade, a recebeu com um enorme sorriso e a felicitou:
- Sempre achei que você e a Laura formam o casal perfeito. 
À princípio, ficou confusa:
- Desculpe, mas eu não entendi.
Pela reação de Michelle, ela percebeu o erro cometido, mas já era tarde. Foi com um constrangimento visível que perguntou:
- Vocês não voltaram?
Num misto de incredulidade e indignação por ter sua intimidade devassada, Michelle foi seca, quase áspera:
- Não.
Arrependeu-se logo depois, quando a outra desfiou sobre ela um novelo de desculpas.
A situação se repetiu mais algumas vezes durante todo o dia, tanto com Michelle quanto com Laura. 
Foi um alívio encerrar a última aula, Laura quase correu para fora da sala, ansiosa para chegar na academia e depois sair com Gabriela, como haviam combinado. A pressa era tanta que resolveu fazer o caminho mais rápido, que há muito não pegava, pois evitava passar pela sala de Michelle. A porta estava fechada e, mesmo se não estivesse, Laura não olharia lá para dentro. Atravessou o corredor num passo acelerado, quando o dobrou, se deparou com Amanda. 
A última coisa que Amanda esperava era encontrar Laura. Mais do que surpresa, assustou-se ao vê-la. Tinha plena consciência de que seu desconcerto era visível, por mais que tentasse disfarçar:
- Oi.
Laura, por sua vez, não só desprezou o cumprimento, ignorou-a completamente, passou por Amanda fingindo que ela não existia. 
Conseguiu convencê-la, mas não a si mesma. Impossível descartar a dolorosa consciência de que se incomodava sim, e muito, não só com o fato de Amanda estar ali, mas por saber perfeitamente para onde ela estava indo.

CONTINUA AMANHÃ...

TODAS AS INFORMAÇÕES SOBRE A CAMPANHA DE COTAS ABAIXO:


A fórmula vocês já conhecem, mas só para lembrar:

- Qualquer leitor@ pode fazer a doação no valor de R$ 10,00 ou mais.


- A doação é voluntária, tod@s podem ler, participando ou não. Ou seja: não precisa doar para ler, pode ler sem doar.

- Assim que 
atingirmos 250 cotas de R$ 10,00, ou total de R$ 2.500,00 = cinco capítulos por semana. 
300 cotas de R$ 10,00, ou total de R$ 3.000,00 = a história será postada na íntegra.


As doações serão revertidas para os próximos projetos da autora (que são muitos!)

Para colaborar basta clicar no botão abaixo: 












Clique no botão acima para fazer a sua contribuição.



A AUTORA AGRADECE IMENSAMENTE 
A SUA COLABORAÇÃO!



.
OBS IMPORTANTE:   Se preferir fazer a sua contribuição por transferência bancária ou depósito na conta da autora, enviar email para: diedraroiz@gmail.com




RECAPITULANDO:
Postagem 3x por semana, toda 3a, 4a, 6a feira e Sábado às 18h

Se atingirmos:
250 cotas = postagens 5x por semana
300 cotas = história postada na íntegra


MÚSICAS QUE INSPIRARAM O CAPÍTULO:


postado originalmente em 09 de Junho de 2017 às 18:00.






.

2 comentários:

  1. Amando essa história! Ahh, o capítulo 29 foi repostado no 30...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Sandielle!
      Tudo bem, linda?
      Que bom que está gostando!
      Como assim, foi repostado? Não entendi, sorry... São dois capítulos diferentes, o 29 e 0 30, não?
      bjo suuuuuuuuuper especial e gigantesco no coração!

      Excluir

Deixe seu comentário, sua opinião é muito importante!