terça-feira, 21 de março de 2017

CAPÍTULO 37


Assim que entraram no carro, Michelle perguntou:
- Pra onde?
Ia sugerir a própria casa, mas como se pudesse ler os pensamentos dela, Laura respondeu:
- Lá onde você come a sua girina eu não vou.
Michelle imediatamente deu o troco:
- Pois onde você come a sua atleta eu também não vou.
O ciúme tão evidente de Michelle só serviu para instigar Laura ainda mais. Puxou-a para si e a beijou com loucura. Michelle abriu os botões da camisa de Laura, tocou os seios por cima do sutiã, depois escorregou os dedos por baixo do tecido, arrancando um gemido. Laura traçou com a boca o contorno do rosto de Michelle, mordeu o queixo, desceu para o pescoço, fazendo-a estremecer. 
Falaram na mesma pulsação urgente, ofegante e veemente. Juntas, em total sintonia:
- Motel.


Michelle não conseguiu esperar, atacou-a por trás, grudou o corpo nas costas de Laura, a boca colada em sua nuca e as mãos acariciando seus seios enquanto ela tentava trancar a porta.
Quando Laura se virou, Michelle segurou-a pelos ombros e a empurrou contra a madeira. Ato contínuo, enfiou as mãos em seus cabelos e, sem parar de beijá-la, se esfregou nela inteira. Precisava senti-la, saboreá-la integralmente. 
Laura a puxou ainda mais para si, roçou os lábios nos de Michelle, mordeu e sugou, depois enfiou a língua, enquanto descia as mãos pelo corpo dela, enfiando-as por baixo das roupas.
Movida pelo mesmo desejo de despi-la, Michelle abriu os botões da camisa de Laura com tanta pressa que quase os arrancou. Puxou a peça de roupa sem lembrar de desabotoar os punhos. Um deles saiu com facilidade, o outro ficou preso. Coube a Laura soltá-lo, pois Michelle já estava com toda a sua atenção voltada para a tatuagem em seu ombro. Foi direto nela, passou a mão por cima, numa carícia suave:
- Que linda...
Ficou claro para Laura. Mesmo assim quis confirmar:
- Você já sabia?
Michelle disse a verdade:
- Vi numa foto sua. 
Levou menos de um segundo para se permitir uma confissão completa:
- Que eu salvei no meu note e no meu celular.
Completamente sem fala, Laura se deixou levar pela emoção que a dominava. Segurando o rosto de Michelle entre as mãos, voltou a beijá-la, com a mais profunda e apaixonada intensidade. Primeiro na boca e, depois, conforme a livrava das roupas, em cada pedacinho de pele que desnudava. Trêmula de prazer, Michelle também se entregou completamente, mas sem qualquer passividade. Despiu Laura, estimulando-a com beijos, carícias, mordidas e palavras sussurradas. Vencida a barreira das roupas, os corpos se reconheceram de forma ainda mais imediata. 
Com a boca encostada no ouvido de Laura, Michelle soprou:
- Adoro o seu cheiro... O seu gosto... Você sabe, não sabe?
Laura não disse nada, apenas se deixou puxar para a cama. Deitaram juntas, com Laura por cima. Isso não impediu que Michelle continuasse conduzindo, incentivando-a, apertando-a contra si, acariciando as costas, a bunda, o pescoço e os ombros dela de forma incansável. Não a deixou passar das preliminares, fez prevalecer o que queria com uma leve pressão, sem perder a suavidade. Giraram sem se afastarem, trocando de posição. Michelle executou uma dança sinuosa, latente e úmida, de uma veemência fortemente manifesta sobre Laura, fazendo com que, afinal, as palavras brotassem:
- Ai, isso... Se esfrega em mim assim... Me mostra o que você quer... Vem, eu quero sentir todo o seu tesão, toda a sua vontade... Me mostra, Michelle... Me mostra que você é minha... Me mostra que você me quer...
O desejo idêntico, tão inteiramente compartilhado, fez com que qualquer limite ou impedimento que Michelle ainda pudesse ter fosse deixado de lado. Gozou em seguida, gritando o nome de Laura alto, entre gemidos. 
A rapidez com que chegou ao clímax não diminuiu a magnitude do resultado em nada. No entanto, estava longe de estar saciada. Desceu com a boca e as mãos percorrendo o corpo de Laura, conduzindo-a com maestria para uma explosão tão fácil, intensa e acelerada quanto a que ela havia causado. Não parou, e Laura não reclamou nem tentou impedi-la. Pelo contrário. Pediu, de um jeito deliciosamente irrecusável:
- Deixa eu te chupar também...
Mergulharam juntas, compartilhando o mesmo ardor pulsante, inchado e molhado, integralmente inflamadas pela perfeição que a sincronia quase total proporcionava. Atingiram ao mesmo tempo, uma na boca da outra, de forma lindamente simultânea, o mais violento, inebriante e inesquecível de todos os orgasmos.
Ainda com o rosto virado para os pés Laura, Michelle se atirou de costas na cama. Laura primeiro se sentou, roçou os lábios nos de Michelle de leve, só depois levantou. Falou enquanto caminhava até o frigobar:
- Estou com sede, e você?
 Michelle girou o corpo, apenas um pouco, para ficar de lado e poder admirar melhor o esplendor que era ter de novo Laura em sua nudez. 
- Não muita. O que você vai tomar?
Laura avaliou o que tinha dentro da pequena geladeira antes de responder:
- Água com gás.
Pegou uma garrafa e olhou para Michelle, para saber se ela ia querer alguma coisa ou não. Riu quando ouviu o que já esperava:
- Eu divido com você.
Era típico dela. Retrucou apenas para implicar:
- E se eu quiser a garrafa inteira?
Para provocá-la ainda mais, bebeu metade do conteúdo, de um jeito que causou uma reação inteiramente diferente da que pretendia. Inegável a urgência na voz de Michelle quando a chamou:
- Volta pra cama. Já!
Não precisou repetir. Exatamente como Michelle previa, ficar de bruços, proporcionando o ângulo de visão que Laura mais adorava, foi eficaz. Em uma fração de segundo, Laura já estava ao seu lado no colchão. 
Percorreu as costas de Michelle com as pontas dos dedos, fazendo todos os pelinhos do corpo dela se eriçarem. Desceu mais a mão, pousou-a nas nádegas, se inclinou e falou baixinho, bem perto do ouvido de Michelle, causando mais um arrepio:
- Bundinha deliciosa... Você sabe que eu não resisto...
 Mordeu a nuca de Michelle, desceu a boca pela espinha, fazendo-a gemer e se contorcer, em parte pela carícia em si, em parte por antecipação do que sabia que viria a seguir. Deixou escapar um primeiro gemido de prazer quando Laura introduziu a língua, exatamente como tinha prometido. 
A forma sem reservas como Michelle se entregou deixou claro para Laura que ela permitiria, então a colocou de quatro de frente para o espelho, se posicionou atrás e fez como, o que e tudo que queria.


Amanda até tentou enviar algumas mensagens e fotos para Michelle no início da noite, mas ela não visualizou nem respondeu nenhuma. Preferiu acreditar que o celular estava dentro da bolsa e por isso ela não estava ouvindo. Conforme foi ficando mais tarde, a desculpa que deu para si mesma foi que ela deveria estar dirigindo. Acabou deixando o celular de lado, como a própria Michelle havia sugerido, pois de outra forma não conseguiria se divertir.
Bebeu de maneira moderada. Em compensação dançou muito, quase exageradamente. Recebeu uma quantidade incontável de beijos, abraços, felicitações, lembrancinhas e presentes, com um sorriso ilusoriamente natural, que simulava com perfeição o tipo de felicidade, receptividade e simpatia que se espera de quem está fazendo aniversário. Da mesma maneira, a cada foto e selfie. Pouco importava como se sentia, desde que parecesse radiante nas redes sociais.
Não estranhou quando Débora, Marina e Bruno sumiram. Sabia antes mesmo ouvir o “Parabéns pra você” que se seguiu, que os três surgiriam com um bolo - de chocolate, pois era o seu preferido - com velinhas acesas em cima. O que não esperava era ver Juliana com eles. Ficou tão enternecida que as lágrimas escorreram. Apagaram as velas juntas, depois se abraçaram, com toda a emoção que o momento exigia.
A irmã também estava enxugando o rosto quando finalmente se afastaram:
- Só consegui chegar agora, peguei um trânsito horrível.
Amanda riu de pura felicidade:
- Eu nem sabia que você vinha. Foi uma surpresa maravilhosa!
Virou-se para Débora e Marina e agradeceu:
- Obrigada! Eu amei!
As duas falaram se completando:
- Agradeça ao Bruno.
- Foi ideia dele.
Com o talento para entradas triunfantes que lhe era peculiar, ele surgiu ao lado delas e disse:
- De quem mais seria?
Abriu um enorme sorriso quando as gêmeas o beijaram juntas, cada uma em uma bochecha, congelando o movimento para que Marina e Débora pudessem capturar o momento com o celular.
Enquanto elas postavam as fotos, Bruno sugeriu:
- Vamos cortar o bolo?
Falou alto o suficiente para que todos o escutassem e alguém trouxesse uma faca. Depois de uma breve discussão sobre qual das duas aniversariantes a manejaria, Juliana convenceu Amanda com um argumento indiscutível:
- Você é muito melhor que eu nisso.
Assim Amanda que colocou o primeiro pedaço no guardanapo, Bruno trouxe uma nova questão:
- Pra quem é esse?
Se Michelle estivesse presente, Amanda não hesitaria. Mas na ausência dela, ficou parada, olhando para o vazio. Juliana a conhecia tão completamente que captou de imediato:
- Guarda e entrega pra ela depois. Tenho certeza que a Michelle vai adorar.
Concordou com um aceno de cabeça. Olhou em volta - procurando um prato descartável ou qualquer outro tipo de recipiente para colocar o primeiro pedaço, algo capaz de preservá-lo até que chegassem em casa - e se deparou com Bruno, Marina e Débora debruçados sobre o celular de um deles. Aproximou-se apenas por curiosidade:
- O que vocês estão olhando? 
Com uma rapidez surpreendente até mesmo para ele, Bruno guardou o celular no bolso. Amanda pediu:
- Posso ver?
Os três continuaram estranhamente mudos, deixando-a assustada:
- O que é?
Bruno olhou para Marina e Débora, que por sua vez, se entreolharam. Acabaram chegando a um consenso sem palavras, mas coube ao dono do celular esclarecer:
- É um vídeo que um peguete meu acabou de compartilhar.
Marina o incentivou:
- Mostra logo, isso tá rodando no whatsapp, mais cedo ou mais tarde ela vai ver.
Débora tentou avisar:
- Amanda, você não vai gostar.
Mas nada prepararia Amanda para aquilo. Michelle aos beijos com Laura, com a seguinte legenda: “profs da ufsc mandando ver #altosamassos #pegaçãolésbica #sapatasemação ” 
Não percebeu o momento em que deixou o pedaço de bolo cair, só soube que não o segurava mais porque levou as duas mãos ao rosto e elas estavam vazias.
A primeira coisa que Juliana fez foi questionar:
- Pode não ser de hoje, quem sabe esse vídeo é de meses ou até de anos atrás.
Querendo acreditar no que a irmã tinha falado, Amanda viu o vídeo de novo.  Serviu apenas para confirmar a verdade irrefutável: 
- A roupa da Michelle é a mesma que ela estava usando hoje. 
Tentou inutilmente conter as lágrimas. Escorreram, sem que Amanda fosse capaz de subjugá-las. Virou-se para a irmã, inteiramente transtornada:
- Me leva daqui? Quero ir pra casa.
Ela concordou de imediato. Débora pediu:
- Qualquer coisa liga pra gente. 
E Juliana aquiesceu:
- Pode deixar.
Antes de levar Amanda para o apartamento que ela agora considerava seu lar.


Depois de dormir deliciosamente abraçada com Laura, Michelle estranhou o fato de não a encontrar na cama ao acordar. Assustou-se ao vê-la inteiramente vestida, sentada em uma poltrona perto da porta. 
- Aconteceu alguma coisa?
Laura se levantou:
- A noite terminou. E eu preciso ir embora. 
Completou com um sorriso irônico:
- Acho que você também, aliás.
Pegou a calcinha de Michelle no chão e estendeu para ela, que imediatamente compreendeu a mensagem. Vestiu as roupas em silêncio, com a pressa que a súbita distância entre as duas e o fato de Laura permanecer de costas, sem fitá-la, havia estabelecido. Quando terminou de calçar os sapatos, foi até Laura, pousou as mãos nos ombros dela e, com a mesma doçura com que a fez se virar, propôs: 
- Vamos conversar?
A resposta de Laura foi tão fria quanto o seu olhar:
- Se quiser, pode falar.
A despeito disso, Michelle não podia, não queria, nem iria recuar. A única coisa que importava era assumir e revelar a verdade. Confessou de uma maneira inteiramente arrebatada:
- Eu te amo. Nunca deixei de te amar. 
Não houve reação alguma por parte de Laura. Como se o que tivesse escutado não significasse nada. 
- E a sua namoradinha?
A indagação estava repleta de sarcasmo. Tomando-a como insegurança e ciúme, Michelle assegurou:
- Vou terminar com a Amanda.
A risada de Laura ecoou por todo o quarto. Havia um prazer quase sádico nos olhos dela quando disse:
- Eu não quero que você termine. Eu quero que você conte pra ela que nós trepamos, que diga que passamos a noite juntas, que ela fique sabendo que você a traiu comigo.
A mistura de desespero, incredulidade e dor que a dominou fez Michelle perguntar:
- Era isso que você queria? Vingança?
A resposta veio acompanhada de um sorriso:
- É o meu presente de aniversário pra ela.
Nem mesmo a crueldade com que a frase foi proferida impediu Michelle de questioná-la:
- E nós duas? 
Laura apenas repetiu, como se não fizesse sentido: 
- Nós duas? 
Para Michelle, incompreensível era Laura agir como se a noite que tinham passado juntas não fizesse diferença, sequer existisse. Foi exatamente no amor, na paixão, no carinho e na entrega que, de forma inegável, haviam compartilhado que encontrou forças para insistir: 
- Eu e você.
Olhando nos olhos dela, Laura ponderou:
- Não existe mais eu e você, Michelle. 
Com uma serenidade igualmente assustadora, afirmou logo depois:
- Foi só sexo. Apenas sexo. Nada mais.

CONTINUA AMANHÃ...

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postado originalmente em 19 de Junho de 2017 às 18:00.






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2 comentários:

  1. Bem feito pra Michelle, quem mandou ser cuzona?! Team Laura.

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  2. Boooa Laura. Vc não me decepciona. Sabia que ia incluir em sua ficha a infantilidade. Kkkkkk Sério, se rebaixar a atitude de uma mina de 18 anos?! Putz hahah Se for analisar msm msm, foi até pior.. Essa histórinha de vingança - olho por olho. Caraca! Se supera mulher. Já foi traída. Mostra-se que quem saiu perdendo foi a Michelle. Mulher madura, evoluida, independente e tals. Ai vem e me tem atitudes egoísta e infantil?
    To torcendo mais ainda para essas duas ficarem juntas. Pq depois dessa (tanto Laura quanto Michelle), que atitudes feias. Michelle, erra uma vez assim já n foi legal. Agr duas?! Cês se merecem eu acho. Cada uma com seus erros e defeitos e tals, se completam. Rs
    E quem coloca a culpa disso em Amanda.. Prfv, as comprometidas no início eram as duas. O dever de fidelidade era das duas. Amanda era solteira e livre pra ir atrás do que queria. Quis as duas e conseguiu. Palmas pra ela. (Falo isso como alguém que nunca traiu, mas já foi traida. E nunca que vou culpar "a outra". A parte compremetida é que teve caráter fraco. Ponto.)

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