terça-feira, 21 de março de 2017

CAPÍTULO 41 - Último Capítulo


Depois que saiu da sala de Michelle, Amanda foi para casa e chorou copiosamente. A tarde toda e parte da noite também. Isso se repetiu nos dias que se seguiram. Na sexta-feira, decidiu superar e esquecer. Só conhecia uma única forma de fazê-lo: sair.
Sentada com os amigos no bar de sempre, se sentiu quase feliz. Com a preocupação que lhe era característica, Débora perguntou:
- Como você está?
Amanda falou a verdade, de forma bem-humorada, sem nenhuma mágoa, tristeza ou ironia:
- Facinha.
Marina riu alto. Bruno debochou: 
- Aleluia!
Após a terceira cerveja começou a se tornar cada vez mais simples, principalmente depois que passou observar e notar as possibilidades ao seu redor.
O fato de ser assumida fazia diferença, pois quem se interessasse não perdia tempo ficando na dúvida. Óbvio que a intromissão de Bruno - noticiando que Amanda estava solteira de novo durante toda a semana a quem quisesse ouvir – ajudava e muito. 
Percebeu e recebeu os olhares de três candidatas possíveis. A primeira era Ana Luiza, com quem já tinha ficado e não a empolgara. Descartou de imediato. A segunda era uma das muitas da legião de ex ficantes de Marina. Preferível ficar longe, pois do jeito que Débora era ciumenta, se a trouxesse para a mesa, certamente acabaria em briga. A terceira não conhecia. Como se estivesse acompanhando seus pensamentos, Bruno passou a ficha:
- O nome é Flora. 22 anos, fotógrafa, estudando cinema, assumida, perguntou sobre você pra mim e nunca ficou com a Marina. E é linda, não achou?
Não precisou pensar para responder:
- Linda é pouco...
Os dois riram. Depois Amanda completou:
- Como é que eu nunca tinha visto?
Era a deixa que Bruno precisava:
- Você andava totalmente cega, meu amor.
Impossível contestar, tampouco lamentar. A despeito de tudo, estar apaixonada e namorar com Michelle tinha sido uma experiência positiva, indispensável em sua vida. Jamais desprezaria tudo que tinha sentido, vivido e aprendido. Fazia parte dela e de seu histórico de relações amorosas, uma recordação valiosa, que guardaria e levaria para sempre consigo. Mas uma coisa era certa:
- Agora é passado.
E se gostasse de remoer o passado, faria museologia ou história e não engenharia. Virou-se para a frente, o futuro que tão generosamente se oferecia, naquele instante sob a forma de uma mulher que lhe parecia absolutamente interessante. Uma desconhecida com quem pretendia travar o contato mais íntimo possível. 
Bastou um sorriso. Foi imediatamente correspondida. Inicialmente, mantiveram um diálogo sem palavras, que culminou em Flora caminhando em sua direção, enquanto Amanda esperava, saboreando o prazer da excitação e da expectativa e Bruno se levantava, deixando a cadeira ao lado dela livre:
- Demorou! 


Naquela manhã, Michelle acordou cedo, apesar de ser sábado. Tomou café e saiu de bicicleta, com Afrodite devidamente acomodada na cestinha da frente. Ainda estava escuro, mas era totalmente seguro, não havia qualquer perigo. Venceu rapidamente as poucas quadras que separavam sua casa da praia. Enquanto via o sol nascer e caminhava pela areia com a companheira canina cor de mel igualmente feliz ao lado dela, aproveitou para pensar nos momentos com Laura durante a semana que havia se passado. Por mais que não houvessem verbalizado e nenhuma relação tivesse sido oficializada, estavam namorando. Parecia no mínimo estranho, para duas pessoas que haviam sido casadas durante vinte anos, que fosse possível recuperar aquele sentimento de flerte, novidade e encanto. Na verdade, estavam se conhecendo de novo - ou melhor, se reconhecendo -, pois um sabor inegável, do quanto sabiam uma da outra, sempre acabava se instalando quando estavam juntas. 
Não foi por medo nem para se fazer de difícil, muito menos para punir Laura que Michelle tinha limitado o contato físico, de forma a ainda não terem feito sexo nem dormido juntas. Precisava daquele tempo e andamento, de recuperar, reconquistar, restabelecer o que tinham perdido. E descobrir, aprender, adicionar o que anteriormente não haviam atingido. Para que quando afinal acontecesse, fosse realmente pleno. E para sempre, como Michelle desejava, esperava e planejava que fosse ser daquela vez.


Quando Laura acordou, não abriu os olhos nem se levantou. Ficou preguiçosamente deitada na cama, com um sorriso imenso no rosto. Não havia nada de extraordinário naquilo. Tornara-se rotina, desde o momento em que Michelle voltara a fazer parte da sua vida. Saber que ouviria a voz dela, que a veria, que a beijaria... Era suficiente, já a deixava feliz.
Óbvio que queria mais, muito mais do que isso. Mas por mais que ansiasse pelo momento de avançar, era completamente esperado que houvessem mudanças.  E essa era a principal delas. O fato inédito de permitir que Michelle conduzisse o ritmo. 
A demora em concretizarem o desejo inegável que sentiam uma pela outra parecia estranha, já que tinham feito sexo no primeiro encontro, tanto quando haviam se conhecido quanto neste retorno. No entanto, por mais que a noite com ela naquele motel - a última que haviam passado juntas - tivesse sido inesquecível, o que Laura desejava era diferente. Dormir e acordar abraçada com Michelle, depois de amá-la até a exaustão ou não. Em cada noite e dia, pelo resto de sua vida.
Com o arrepio que esse último pensamento lhe causou, estendeu a mão e pegou o celular na mesinha de cabeceira. 
Ao ler a mensagem dela - de três horas atrás - sorriu mais ainda: “Me liga quando acordar?”
Não precisou pensar, apenas atendeu ao pedido de imediato, achando graça por Michelle saber perfeitamente que ela ainda estaria dormindo.
- Oi, amor. Bom dia! Caiu da cama?
Deliciou-se com a alegria e a doçura da voz de Michelle:
- Adoro ver o sol nascer no Morro das Pedras. É muito lindo! Mas faltou você, meu amor. Um dia precisa vir comigo.
Laura riu:
- Com você falando desse jeito eu até me animo...
Riram juntas, pois ambas sabiam que o forte de Laura não era gostar de acordar cedo. Michelle implicou:
- Acho bom você se animar mesmo! Afinal, temos o final de semana todo pela frente.
Poder passar dois dias inteiros com ela era algo pelo qual Laura tinha esperado ansiosamente. Não queria perder tempo:
- Falando nisso... Tem algo em mente pra hoje?
Ainda parecia surpreendente para Michelle, o fato de Laura depositar aquele tipo de decisão em suas mãos. No entanto, não era poder que ela queria, seu prazer verdadeiro era chegarem num consenso:
- Até tenho, mas queria saber se você pensou em algo primeiro.
Não precisou falar duas vezes. Laura já tinha sua sugestão na ponta da língua:
- Matadeiro, que tal?
Impossível para Michelle deixar de sorrir:
- Pensamos o mesmo.
Estavam em sintonia. As duas sabiam e sentiam. Como Michelle morava perto da praia em questão, Laura propôs:
- Passo aí em uma hora?
E Michelle não fez qualquer objeção. Muito pelo contrário:
- Perfeito. 
O que deixou Laura absolutamente perplexa foi o pedido que veio depois:
- Vem de moto?
Pois o principal motivo para que Laura trocasse as duas rodas por quatro quando tinham ido morar juntas era o fato de Michelle nunca ter gostado, na verdade, ela tinha medo, quase pânico de andar de motocicleta. 
Não disfarçou o estranhamento:
- Tem certeza?
Michelle confirmou sem hesitar:
- Absoluta. 
À Laura, só restou ficar mais ansiosa ainda.


Michelle esperou por Laura no jardim, queria vê-la chegando de moto. Assim que ela encostou, foi ao seu encontro, sorrindo. 
Laura tirou o capacete e sorriu de volta, mais ainda quando Michelle se aproximou, passou os braços ao redor do pescoço dela e a beijou na boca, com uma sensualidade deliciosa, que prometia. Depois soprou dentro de ouvido de Laura:
- Você fica um tesão em cima dessa moto.
Beijou-a de novo, dessa vez de leve, apenas um roçar de lábios. Enquanto isso, Laura tentou compreender:
- Como você sabia da moto?
Michelle riu:
- Eu sempre sei de tudo, esqueceu?
A resposta de Laura foi dada com um aceno de cabeça em negação, rindo também. Foi olhando nos olhos dela que Michelle confessou:
- Te vi na Lagoa e na mesma hora eu quis...
A mão que Michelle mantinha pousada sobre o ombro de Laura deslizou pelo pescoço dela até alcançar a nuca, causando arrepios:
- Desejei estar com você, assim.
Encostou o rosto no de Laura, abraçou-a, apertou-a com força contra si. Deixou escapar de olhos fechados, num suspiro:
- Parecia impossível...
Laura a recebeu e correspondeu com a mesma intensidade, enlaçando ao mesmo tempo Michelle e o sentimento de não a soltar nunca mais:
- Impossível era viver sem você.
A resposta de Michelle foi imediata, repleta de emoção e verdade:
- Eu também te amo.
Voltaram a se beijar, desta vez apaixonadamente, de um jeito que fez Michelle chegar a cogitar desistir do passeio. Só não o fez porque precisava satisfazer a vontade, realizar o que havia imaginado tantas vezes:
- Vamos? 
Pegou e colocou o capacete. Laura fez o mesmo antes de chamá-la:
- Sobe, meu amor.
Estendeu a mão para Michelle que, apesar de não precisar, aceitou o apoio. Encaixou-se atrás de Laura, fazendo com que ambas gemessem, o contato aparentemente simples causando matizes profundas do mais puro prazer. Apenas uma pequena amostra do que aquele final de semana viria a ser.


Mesmo se quisessem, nenhuma das duas teria palavras para descrever a perfeição daquele dia. A única coisa que poderiam afirmar com certeza era que estavam se apaixonando de novo. Protelaram ao máximo a volta, a tarde já estava chegando ao fim quando Laura parou a moto na frente da casa de Michelle. Disfarçou como pôde a cara de cachorro pedinte, sem saber que não seria preciso, a intenção de Michelle era idêntica à dela. Depois de descer da moto, parou na frente de Laura e propôs:
- Não quer entrar?
O sorriso que Laura lhe lançou fez o coração de Michelle disparar:
- Pensei que você nunca fosse convidar.
A resposta de Michelle foi abrir o portão para que Laura estacionasse do lado de dentro. Apesar de só terem se visto através das grades, o entendimento entre Afrodite e Laura foi imediato, como se se conhecessem desde sempre. Michelle foi obrigada a puxar Laura pela mão para recuperar a atenção dela:
- Vem comigo.
Fez um tour rápido pelos cômodos, tinha pressa de chegar ao destino final – o banheiro. Ligou o chuveiro, tirou a saída de praia e o biquíni e entrou debaixo da água. Laura demorou algum tempo para fazer o mesmo. Permaneceu parada, admirando a nudez de Michelle primeiro. 
Encontrou-a com a respiração igualmente acelerada. Beijaram-se com uma intensidade que apenas aumentou enquanto se ensaboavam, lavavam os cabelos, finalmente saíam do chuveiro e se enxugavam.
Ainda com a tolha na mão, Laura se deixou conduzir até o quarto. Michelle parou na frente da cama e se virou para Laura com os olhos, os lábios e o corpo integralmente incendiários. Puxou-a para si com a urgência e ansiedade de todos aqueles dias. Mesmo assim, não houve pressa alguma, por parte de nenhuma das duas, ficaram se beijando durante um longo tempo. Quando Laura deixou escapar, entre suspiros:
- Que boca deliciosa, meu amor...
Michelle concordou, igualmente arquejante:
- Não consigo parar de te beijar...
Logo depois, numa contradição total ao que acabara de dizer, Michelle jogou o edredom no chão e a puxou, deitando de costas na cama, com Laura por cima. Retomaram os beijos infinitos, desta vez acompanhados por centenas de carícias, sussurros e gemidos. Laura se encaixou, ondulando toda a ânsia e vontade que sentia, Michelle a recebeu com a mesma veemência:
- Vem, meu amor... Vem...
Ofegando, deliciada sob o corpo de Laura, movendo-se com ela e para ela, em total sintonia, arranhando as costas de Laura com as unhas, os lábios se afastando apenas para lhe percorrerem o pescoço, o lóbulo da orelha e a nuca, fazendo-a se arrepiar inteira. Laura provou os seios de Michelle, colocou os dois na boca, primeiro um, depois o outro. Sem perder o ritmo, chupou, saboreou, mordiscou de leve a pontinha dos mamilos, arrancando uma série de gemidos deliciados e nem um pouco inesperados, pois sabia o quanto Michelle também gostava daquilo. Soprou em seu ouvido:
- Tão deliciosa... Gostosa demais, Mi...
Michelle a puxou pela nuca e voltou a beijá-la, com uma paixão quase brutal. Laura desceu a mão direita pelo corpo de Michelle, buscando, encontrando e deslizando os dedos no sexo dela com habilidade e precisão, mas não penetrou, queria que Michelle pedisse, como já previa que aconteceria: 
- Mete... Enfia... Quero dar pra você...
Atendeu-a de imediato, levando Michelle a completar, com uma languidez ardente e suplicante:
- Ai, Laura... Isso... Adoro quando você me come assim... 
Teve o poder de deixar Laura ainda mais enlouquecida, foi mergulhada num arrebatamento absoluto que conduziu, levando ambas a um êxtase indescritível, que atingiu seu ápice em meio à uma infinidade de gemidos. Laura acompanhou Michelle integralmente. Gozaram juntas, o prazer, a realização e as juras das duas se fundindo enquanto repetiam de forma incessante:
- Eu te amo... Eu te amo... Eu te amo...
Mas Laura não parou, precisava prosseguir materializando fisicamente o que sentia. Michelle também queria, afastou qualquer dúvida ou hesitação dela incentivando-a:
- Continua, meu amor... 
Abandonando a passividade anterior, puxou Laura pelas coxas, encaixou-a aberta sobre seus ombros, falou num tom absolutamente intenso, voraz e rouco:
- Aqui, na minha boca...
Antes de buscar e encontrar no prazer dela a satisfação do próprio desejo. De uma forma completamente inédita, Laura se rendeu integralmente ao arfar alucinante, delicioso e ardente de ser conduzida e tomada por Michelle. Perdeu-se sem restrições, por inteiro naquela entrega.
Assim que terminou, tombou sobre Michelle, ainda atordoada pela força e pelo ímpeto do que havia sentido, proporcionado e compartilhado. Só percebeu que tinha os olhos marejados quando uma lágrima caiu, acertando o rosto dela, que imediatamente indagou, sem esconder a preocupação:
- Laura... Meu amor... Você está chorando?
Laura respondeu rindo em meio às lágrimas que continuavam escorrendo em profusão:
- De felicidade... Muita felicidade, minha mulher maravilhosa, amor da minha vida...
Tomou a boca de Michelle na dela e a beijou, com todo o seu carinho, paixão e amor.


Indescritível o prazer que Michelle sentiu ao acordar no dia seguinte, com o corpo deliciosamente colado no de Laura, que também a enlaçava, mantendo-a nos braços. Manteve o rosto encostado no pescoço dela, roçou os lábios em beijos suaves na pele que se arrepiou com o contato. Laura sorriu e a apertou com mais força contra si mesma. Michelle deixou escapar um suspiro, percorreu o braço de Laura com a mão, as pontas dos dedos seguindo o contorno da tatuagem, subindo pelo ombro e se enfiando na nuca, por debaixo dos cabelos dela. Foi a vez de Laura suspirar, antes de finalmente descerrar as pálpebras e olhar para Michelle. Sorriu, inteiramente ofuscada. Da mesma maneira como Michelle sorriu e olhou para ela. E então, a beleza do momento se tornou completa. As bocas se buscaram, se encontraram sem pressa. Em total reciprocidade, gravaram juntas aquele instante, que seria o primeiro de muitos e, exatamente por isso, em suas lembranças se manteria eterno.



Depois que terminaram de lavar a louça do café, foi a vez de Laura convidar:
- Não quer conhecer o meu apartamento?
Como já esperava, na mesma hora Michelle concordou. Da mesma forma, o que ela reparou não foi a ausência de sofá, mas a Jukebox encostada num canto da sala. A voz soou incrédula e indignada:
- Está desligada?
Praticamente correu até o aparelho, passou as mãos sobre o vidro, acariciando a velha e querida amiga com saudade. Só então se virou para Laura, exigindo uma explicação apenas com o olhar.
Laura deixou escapar um suspiro, inclinou a cabeça um pouco para o lado, deu de ombros e foi absolutamente verdadeira:
- Não fazia sentido sem você.
O sorriso que brotou nos lábios de Michelle veio acompanhado de um brilho tão radiante, que ofuscou Laura inteiramente. Aproximou-se sem nem perceber, quando deu por si tinha vencido a distância entre elas. Enlaçou Michelle pela cintura, puxou-a carinhosamente para si e a beijou.
Quando as bocas se separaram, pediu:
- Só um minutinho.
Afastou-se somente o tempo suficiente para ligar a Jukebox e escolher uma música. Assim que Michelle a reconheceu, presenteou Laura com um sorriso inteiramente diferente do anterior, repleto da sensualidade que ela adorava e tão bem conhecia. A voz - suave, doce e enrouquecida - traduzindo com perfeição a emoção que estava sentindo:
- “Till there was you...”
Interpretada por Ray Charles, era a sua versão preferida. Mas mais do que isso, trazia uma recordação inesquecível. O primeiro encontro e a primeira vez que Laura a tinha tomado nos braços. 
Haviam trocado uma infinidade de olhares no bar, o local público impedindo-as de fazer mais do que isso. Assim que Michelle parou o carro em frente ao prédio de Laura, ela a convidou para subir. Michelle aceitou, certa do que se seguiria. Entretanto, ao invés da pressa, objetividade e praticidade sexual que esperava e ao qual estava habituada, Laura a surpreendera, não somente por não avançar nem a tocar logo de início, mas sendo inesperadamente romântica, atenciosa e gentil, criando um clima irresistível abrindo um vinho, colocando um CD - pois na época a Jukebox ainda não existia - e convidando Michelle para dançar.
Soube que ela estava pensando o mesmo quando os olhos se encontraram e Laura estendeu a mão, com a palma virada para cima, numa repetição exata, tão poética quanto aquele momento havia sido:
- Dança comigo?
A reação de Michelle também foi a mesma. A única diferença foi que, desta vez, verbalizou o que pensou, com o rosto colado no de Laura, completamente entregue, se deixando conduzir:
- Pelo resto da minha vida...
Igualmente enlevada, Laura deixou escapar num suspiro:
- Você é perfeita.
Para Michelle, foi impossível ouvir aquilo sem contestá-la:
- Não, eu não sou. Estou longe de ser perfeita. 
Afastou o rosto e olhou nos olhos de Laura ao concluir: 
- Eu falhei com você.
Laura não parou, tampouco permitiu que Michelle parasse de dançar. Roçou os lábios de leve nos dela, afastando a melancolia que ameaçava se estabelecer. Depois a olhou, sorrindo:
- Você é tão perfeita que a sua falha nos levou à perfeição.
Michelle sorriu de volta, finalmente conseguindo ver, compreender e aceitar o sentido de tudo aquilo. 
As lágrimas escorreram e ela começou a rir. Laura riu junto com ela. Rodopiaram juntas, seguindo muito mais o pulsar dos corações que batiam como um só do que a própria melodia, os olhos sem se desviarem nem por um único segundo, saboreando o amor que sentiam, respirando em uníssono a certeza e a felicidade de estarem de novo juntas, exatamente como queriam. 
A verdade das duas era a mesma e só uma, enfim.

FIM

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Menines Lindes e Maravilhoss,
Tudo bem?
Primeiramente eu queria agradecer imensamente a cada ume e todes que acompanharam a história, especialmente quem comentou, sofreu, torceu, e colaborou com as cotas, minha gratidão eterna!
Infelizmente, é impossível agradar greges e troianes, mas como eu sempre digo, existe uma força maior que faz com que as personagens tomem vida e sigam sem querer seguir os meus planos então espero que vcs compreendam que, no fim, elas decidiram assim.
Difícil pra mim abandonar esta história, por isso estou escrevendo um spin off com Marina e Débora como protagonistas, em breve será postado, fiquem de olho no grupo de discussão no face, ok?
Gratidão eterna e todo meu carinho e amor a todes que me acompanharam nesta jornada!
bjo suuuuuuuuuper especial e gigantesco no coração!
Di

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MÚSICAS QUE INSPIRARAM O CAPÍTULO:









postado originalmente em 24 de Junho de 2017 às 18:00.



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9 comentários:

  1. Final perfeito, eu me deliciei lendo os contornos do recomeço delas...Depois de ter passado este tornado de emoções e sentimentos. Umas vezes no olho do furacão, outras assistindo ao rasto de destruição que foram deixando ao longo dos capítulos. Abalou algumas das minhas certezas, porque nesta história todas tinham e perderam a razão em dado momento. Percorri com toda a crueza os seus erros, revoltas, ciúmes, vinganças, aparências, ilusões, dores, desejos, amores... Vivi amor e odio pelas personagens na mesma medida, nunca conseguindo tomar partido por uma. Pois as suas atitudes passavam do deplorável ao louvável ao longo do tempo, tão reais, tal como nós podemos reagir no nosso dia a dia. Laura e Michelle foram arrebatadoras, reais, me levaram com maestria aos caos que é viver uma traição...Eu estou mal acostumada contigo, depois desta adrenalina toda, mantida qual furacão, durante estes 41 capítulos, o vazio e a ressaca que me vai deixar este final vai ser difícil de curar...É sempre fantástico agitar o marasmo das nossas vidas com as viagens que nos proporcionas com os teus romances...Obrigada, por mais este romance fabulástico...
    Bjs e atė ă próxima ;)

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  2. Como sempre a perfeição de desenvolver uma história com todo o cuidado e conhecimento de uma grande escritora, fazendo com que as leitoras fiquem ligadas e deliciadas com cada capítulo. Como sempre o amor verdadeiro ganhou, as experiências de vida de cada personagem sobressai em momentos decisivos.
    Parabéns Direta, vibro e me realizo a cada história que vc escreve. E como somos todas insaciáves, já estamos aguardando e ansiando por outra.
    Um grande, mega, hiper, super beijo no seu coração.

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  3. Adorei!! Gostei muito delas terem voltado, parabéns!!!

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  4. Amo tudo que você escreve, mas essa história em especial me tocou profundamente. Quase um retrato da minha vida... Nem sei o que dizer... Me emocionou demais! Lindo, lindo!

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  5. Amei a história, e amei mais ainda saber que terá spin off Da Marina e Débora. Na verdade eu ficava mais ansiosa em saber delas na história do que das demais.

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  6. Estou sofrendo !!!
    Dois dias de abstinência crônica como castigo por devorar ferozmente uma estória tão cheias de significados, sentimentos e reflexos na vida atual, que posso até chamar de história.
    Minha amiga mais que querida... o que foi isso? Me diga!!!
    Que enredo fascinante. Que maestria em lidar com temas tão discutível e questionável de uma maneira tão agradável e deleitosa.
    Pelo menos pra mim, consegui sentir a dor, as duvidas e o querer velado de cada uma das personagens. Meus preconceitos foram se escrachando e caindo por terra a cada revelação de amor, de manifesto inerente ao ser humano quando o assunto é ter alguém para amar. Falsas verdades me fez refletir muito e ver que a felicidade está acima do orgulho eterno, do rancor causado por um deslize. Mas também vi que, no caso de Laura e Michele, e principalmente para a ultima, foi completamente necessário para que pudesse viver um amor livre, intenso e abundante. Sem amarras ao passado, sem protagonismos. Ambas passaram pelo que passaram, pois precisavam transformar suas falsas verdades em convicção. Para Amanda, houve a possibilidade de amadurecimento, de viver o momento com alguém que para ela a completava. Mas não havia total reciprocidade nesse relacionamento. Não enxerguei o fato de Michele ter dormido com Laura como traição... foi por amor. O sangue que corria nas veias de Michelle entravam em ebulição perto de Laura. Como disse, foi por amor. Amanda teria a oportunidade de carregar essa experiencia boa para sua vida toda e de conhecer quem faria seu sangue ferver também.
    Uma história tórrida, abrasadora, mas cheia de ternura e gentileza. Que mexe com nossos temores, nossas reticencias...E que por fim, nos permite colocar um ponto final transformando nossa percepção da vida.
    Não preciso dizer que você é magnífica!!!
    Parabéns por essa maravilha!!!!
    De quem te ama e que está morrendo de saudades... Jenny Hunter!

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  7. Estou sofrendo !!!
    Dois dias de abstinência crônica como castigo por devorar ferozmente uma estória tão cheias de significados, sentimentos e reflexos na vida atual, que posso até chamar de história.
    Minha amiga mais que querida... o que foi isso? Me diga!!!
    Que enredo fascinante. Que maestria em lidar com temas tão discutível e questionável de uma maneira tão agradável e deleitosa.
    Pelo menos pra mim, consegui sentir a dor, as duvidas e o querer velado de cada uma das personagens. Meus preconceitos foram se escrachando e caindo por terra a cada revelação de amor, de manifesto inerente ao ser humano quando o assunto é ter alguém para amar. Falsas verdades me fez refletir muito e ver que a felicidade está acima do orgulho eterno, do rancor causado por um deslize. Mas também vi que, no caso de Laura e Michele, e principalmente para a ultima, foi completamente necessário para que pudesse viver um amor livre, intenso e abundante. Sem amarras ao passado, sem protagonismos. Ambas passaram pelo que passaram, pois precisavam transformar suas falsas verdades em convicção. Para Amanda, houve a possibilidade de amadurecimento, de viver o momento com alguém que para ela a completava. Mas não havia total reciprocidade nesse relacionamento. Não enxerguei o fato de Michele ter dormido com Laura como traição... foi por amor. O sangue que corria nas veias de Michelle entravam em ebulição perto de Laura. Como disse, foi por amor. Amanda teria a oportunidade de carregar essa experiencia boa para sua vida toda e de conhecer quem faria seu sangue ferver também.
    Uma história tórrida, abrasadora, mas cheia de ternura e gentileza. Que mexe com nossos temores, nossas reticencias...E que por fim, nos permite colocar um ponto final transformando nossa percepção da vida.
    Não preciso dizer que você é magnífica!!!
    Parabéns por essa maravilha!!!!
    De quem te ama e que está morrendo de saudades... Jenny Hunter!

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  8. Como eu desejei esse final! Que maravilhoso! Digno de você! Suas histórias são fascinantes!
    Eu sabia que um amor assim, seria capaz de perdoar, se redescobrir! A emoção tomou conta do meu ser! Incrível! Um super abraço a vocês e espero ansiosamente pelo próximo conto.

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