terça-feira, 21 de março de 2017

CAPÍTULO 02


primeira reação de Amanda foi ficar olhando para Laura boquiaberta. A segunda foi gaguejar:
- Quer dizer que... A Minha mãe...
Laura sequer a deixou completar:
- Sempre fomos só amigas e mais nada.
Fazia muito tempo. Tanto que já não era capaz de saber ao certo se a afirmativa era mesmo verdade...


Entraram no apartamento rindo e tropeçando. Enquanto trancava a porta com a dificuldade que a embriaguez lhe proporcionava, Elaine pediu silêncio:
- Psiuuuu...
Tão alto que Laura riu ainda mais, tapando a boca com a mão em uma tentativa inútil de abafar o ruído.
- Assim meus pais vão acordar!
A luz se acendeu e as duas se assustaram. Mais ainda quando a mãe de Elaine, parada na porta da sala de camisola, absolutamente séria, falou:
- Elaine, você sabe que horas são?
Laura se manteve imóvel, sem respirar, temendo que o mínimo movimento denunciasse o estado etílico em que se encontravam. Não adiantou nada. A mãe de Elaine percebeu, bastou um único olhar:
- Vocês estão bêbadas.
“Merda!”
Laura pensou, mas não falou. Elaine negou:
- Claro que não, mamãe. Só cansadas.
Antes que a mãe se aproximasse para averiguar, pegou Laura pela mão e a puxou em direção ao quarto. Trancou a porta atrás delas e se olharam:
- Puta merda!
Riram da mesma forma sincronizada.
- Minha mãe é um saco! Faz marcação cerrada!
Laura discordava:
- Passa um dia na minha casa daí você vai ver o que é marcação cerrada!
Elaine protestou: 
- Cara... Você reclama de barriga cheia...
Olhou para o relógio que sempre usava no pulso:
- São só onze horas! Não seria problema chegar agora na sua casa.
Sem a menor vontade de continuar aquele assunto, Laura desconversou:
- Posso ligar o som?
- Precisa perguntar?
- Sei lá... Sua mãe não vai encrencar?
- É só deixar baixo.
- Então tá.
Enquanto Laura escolhia um LP da coleção da amiga e o colocava na vitrola, Elaine tirou os sapatos e atirou-se de costas na cama, de forma absolutamente dramática:
- Pobre da minha mãe... Querendo proteger a minha castidade... 
A risada de Laura soou alta demais. Ela tentou abafá-la, com as duas mãos na boca, sem grandes resultados:
- Se ela soubesse que não tem um buraco virgem no seu corpo... Ela teria um colapso!
E voltou a rir.
Dessa vez com Elaine a acompanhá-la:
- Olha quem fala!
Deitou-se ao lado da amiga na cama, as duas se olharam e, só então, com o silêncio que subitamente se fez entre elas, ouviram a música que tocava:
“Chega de tentar dissimular e disfarçar e esconder
O que não dá mais pra ocultar 
E eu não posso mais calar
Já que o brilho desse olhar 
Foi traidor
E entregou o que você tentou conter...”

Elaine sorriu. Laura também...  
Uma força desconhecida fez os olhos de Laura descerem para os lábios de Elaine. Sentiu uma vontade incontrolável de beijá-la, o simples pensamento provocando uma excitação, um calor, uma vibração que Laura nunca tinha provado... 

“Eu quero mais é me abrir 
E que essa vida entre assim
Como se fosse o sol desvirginando a madrugada...”
("Explode Coração" – de Gonzaguinha – com Maria Bethânia)

Levou menos de um segundo para agir, na tentativa de concretizar o que desejava. 
No entanto, a vontade não se tornou realidade, pois Elaine desviou a boca e a afastou, empurrando Laura pelos ombros. Com um riso nervoso repleto de perplexidade, indagou:
- O que foi isso?
Laura fez a única coisa que a inexperiência e a insegurança de seus dezoito anos lhe permitiam: fechou os olhos e, enrolando um pouco a língua, com visível dificuldade, sussurrou:
- Desculpa... Eu... Acho que... Bebi demais.
Mas não estava nem um pouco arrependida. Muito pelo contrário. 


Laura foi trazida de volta pela voz de Michelle chamando-a:
- Laura? Minha querida?
Acompanhou o olhar dela para Amanda e sorriu:
- Lembra da Amanda? 
A expressão de Michelle mudou imediatamente. Surpresa, quase chocada:
- Deus do céu!
E depois, foi de uma simpatia absolutamente encantadora:
- Desculpe, Amanda, eu não te reconheci. Afinal, a última vez que te vi você era só uma menina e agora virou uma mulher... Linda, por sinal! Como vai?
Estendeu a mão para Amanda, trocaram beijinhos antes de Michelle completar:
- É sempre um choque ver como as crianças crescem rápido.
Amanda sorriu, mas não disse nada. Apenas observou as duas mulheres, com um misto de admiração e inveja incontroláveis.
As duas não se tocaram. Nem era necessário. Era inquestionavelmente perceptível que se tratava de um casal.
- Vamos? Estou um pouco cansada.
- Também estou.
Olharam juntas para Amanda, que sorriu, bastante sem graça. Por diversas razões, algumas óbvias, outras que sequer saberia nomear:
- Eu vou... Pegar o meu celular...
Passou por elas, abaixou-se para juntar as partes espalhadas no chão e voltar a encaixá-las, enquanto em resposta à indagação no olhar de Michelle, Laura explicava:
- Ela deixou cair.
Acrescentando à frase uma piscada que Amanda não viu, mas que deixava claro para Michelle que explicaria mais tarde, quando estivessem sozinhas no quarto de hotel que as esperava.


As três saíram do escritório juntas, separaram-se quando chegaram na sala. Amanda para o lado da irmã, que perguntou assim que a viu:
- Que foi?
Obtendo um significativo:
- Nada.
Laura e Michelle em direção a Elaine e Ricardo. Antes que pudessem alcançá-los para se despedirem, as primeiras notas de “Don’t Go Breaking My Heart” soaram, inconfundíveis. 
Michelle parou, puxou Laura pela mão e sorriu. Laura virou-se para ela e sorriu de volta, sabendo exatamente qual era a proposta naquele olhar, sem que Michelle precisasse falar.
Apontou para Michelle e cantou:
- Don't go breaking my heart...
Ela respondeu na mesma hora:
- I couldn't if I tried...
Chamou Laura fazendo sinal com o dedo indicador, e ela prontamente a atendeu. Continuaram cantando em uníssono:
- Honey if I get restless, baby, you're not that kind...
Riram juntas. E começaram a dançar, de mãos dadas, movendo-se numa sintonia que ia muito além do ritmo da música. Como se só houvesse as duas na pista de dança improvisada.


Em pé atrás de Michelle, Laura olhou para ela através do espelho da pia do banheiro:
- Você não vai dizer nada?
Com a serenidade de sempre, Michelle terminou de bochechar, cuspiu e guardou a escova de dente na nécessaire antes de virar-se para Laura:
- O que você quer que eu diga, Laura?
Laura suspirou, com uma tensão perceptível:
- Eu não tive muita escolha, Mi. O que mais eu poderia fazer?
O sorriso de Michelle foi irônico:
- Dizer não para a Elaine. Só pra variar.
Saiu do banheiro com Laura atrás:
- Vão ser só alguns meses e... Não custa nada.
Michelle parou tão abruptamente que, se Laura não estivesse absolutamente atenta, teria esbarrado nela:
- Como não? Eu sequer vou mencionar o fato de que isso vai tirar boa parte da nossa privacidade. O pior mesmo é que vamos ter uma adolescente em casa.
Na mesma hora Laura contestou:
- Ela não é adolescente. É uma jovem de dezoito anos começando um curso de engenharia em uma universidade federal.
A resposta de Michelle foi dada enquanto ela depositava a nécessaire em cima da mesinha de cabeceira ao lado da cama:
- É uma garota que até hoje viveu em uma cidade do interior, sob o controle dos pais conservadores e ainda dentro do armário. E que de repente vai se ver livre, leve e solta em uma cidade que, pra ela, é grande. Está preparada? Por que as consequências são evidentes e inevitáveis.
Sem nem sentir, Laura sacudiu a cabeça de um lado para o outro, tentando negar o incontestável:
- Não é bem assim.
Michelle afastou o lençol da cama e se deitou debaixo dele:
- Ela vai se assumir. E eles vão te culpar. Isso no mínimo.
Laura deu a volta na cama, e deitou-se ao lado dela:
- Ao invés de ficar especulando todas as desgraças possíveis e imaginárias, vamos dar um voto de confiança pra girina? 
Beijou Michelle de leve nos lábios antes de completar:
- Ahn? Que tal?
Michelle deu de ombros:
- Ok, vamos ajudar a girina a virar sapa. 
Esticou a mão para alcançar os interruptores na cabeceira do lado dela da cama e apagou as luzes. Deixou aceso apenas um pequeno abajur, bem fraco, ao lado de Laura. Esta aproximou-se, de tal forma que, quando Michelle voltou a virar-se, viu-se nos braços dela:
- O que é isso? Uhm? Você nunca foi assim.
A boca percorreu o pescoço de Michelle numa carícia suave, que a fez estremecer, de forma involuntária. Um efeito que o tempo só havia melhorado. 
- Talvez seja a idade. Ou quem sabe, todos esses anos em sala de aula tenham me deixado... Um pouco cética com essa juventude de hoje...
Laura se afastou apenas o suficiente para erguer a cabeça e fitá-la:
- Nós éramos melhores com a idade deles?
Os olhos chamejaram com o mesmo calor que aquecia os dela:
- Talvez... Quem sabe? Prefiro pensar que...
Escorregou a mão pelo pescoço de Laura, puxou-a pela nuca:
- Estamos nos aprimorando... 
Roçou os lábios de leve, provocando-a:
- Cada vez mais.
Laura concordou no mesmo tom rouco, absolutamente sedutor:
- Em alguns aspectos, isso é inegável.
Antes de beijá-la com uma doçura narcotizante, sem pressa alguma e nem por isso, de forma menos intensa ou profunda. 
Só separaram os lábios muito tempo depois.
Por Michelle, o assunto havia terminado. Mas Laura fez questão de retomá-lo:
- Sabe de uma coisa? Eu me lembro de achar que meus pais e todos da idade deles não sabiam de nada.
A resposta de Michelle foi cantarolar:
- “Não confie em ninguém com mais de 30 anos...” 
Com uma nostalgia inevitável, Laura soprou:
- E agora não confiamos em ninguém com menos de trinta.
Imediatamente, Michelle a corrigiu:
- Trinta e cinco, no mínimo!
Riram juntas.
- Passamos pro outro lado, é isso?
Michelle passou os braços ao redor do pescoço de Laura e a puxou para si:
- Isso nunca, meu amor! Continuamos nossa luta subversiva contra as estruturas perversas do poder!
Encaixou-a entre as pernas, grudando os corpos:
- Elas é que mudaram de figura.  
Laura deixou escapar um primeiro gemido:
- Uhm... 
Uma das mãos buscou os seios, a outra subiu pela perna de Michelle, levantando a camisola até acima da calcinha:
- Quebrar paradigmas com você, minha querida... 
Antes de invadir a peça íntima:
- É sempre um prazer... 
Gemeram juntas quando os dedos de Laura deslizaram com total intimidade na umidade latente, ardente e receptiva.
A última palavra foi sussurrada por Michelle, num gemido:
- Indescritível. 


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MÚSICAS QUE INSPIRARAM O CAPÍTULO:





postado originalmente em 05 de Abril de 2017 às 18:00.



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3 comentários:

  1. Well... a girina filha da antiga paixão, q é a cara da mãe na idade em q Laura era (ou ainda é) apaixonada por Elaine vai morar na casa delas?? ISSO VAI DAR MERDA...
    Como Laura aceita tal situação sem ao menos consultar Michelle? Creio q devia ser uma resolução conjunta, do casal, nesta cena me parece q Laura não dá a devida atenção a opinião ou vontade de Michelle. Isso é ruim... mto rim...
    Adorei o cap, sei q ainda estamos engatinhando na estória, mas creio q coisas MTO INTERESSANTES acontecerão.
    k k k

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  2. Continuamos a conhecer aos poucos as personagens, mas já se intui que não vamos só assistir à transformação da girina em sapa... e claro que essa transformação vai causar estragos...Para inicio mostras uma Laura subjugada à vontade de Elaine a ponto de impo-la a Michelle. Esse passado aparentemente ainda tem feridas abertas... Eu gosto destes inicios onde vais iluminando aos poucos os personagens pondo as nossas conjecturas a fervilhar...kkkk
    Até sexta, quero mais kkkk ;)
    Bjs

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  3. Humm, a chegada da Amanda será marcada por fortes emoções hein? Peevejo recordações e vai saber o que essas lembranças vão acarretar!? Acho que ssa pulguinha atrás da orelha da Michelle não será em vão...
    #curiosa!!
    Bjss

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